Os patriarcas: Abraão, Isaac e Jacó

A história dos hebreus começa no Gênesis 12, 1-3, na altura em que Abraão recebe a ordem de deixar a sua terra natal para ir a terra que Deus lhe mostrar. O Gênesis 11, 31-32, precisa que a família de Abraão tinha deixado Ur, no Sul da Mesopotâmia (ou no Norte, segundo certos exegetas), a fim de instalar-se em Harran. Gênesis 12 descreve a longa viagem de Abraão e dos seus, de Harran ao Egito, com uma paragem em Siquém e em Betel, e depois o regresso a Betel (Gênesis 13, 3).

A Cronologia de Abraão continua a ser um tema de profundo desacordo para os especialistas. Alguns de entre eles crêem poder afirmar que ele terá vivido por volta de 1750 a.C. Outros consideram que se, enquanto personagem histórica, ele se perde na noite dos tempos, os relatos relativos aos seus feitos remetem para o contexto do período monárquico (século X e seguintes) ou mesmo para a época posterior ao exílio (século VI e seguintes).

A exceção da expedição contra os cinco reis (Gênesis 14), parece que Abraão, e depois Isaac, terão residido sempre em Betel, Siquém, Hebron e Bersabéia, Gênesis 24, em que Abraão encarrega o seu servo Eliezer de encontrar uma esposa para seu filho, transporta-nos momentaneamente para a Alta Mesopotâmia. O mesmo sucederá quando Jacó fugir para Harran para escapar à cólera de Esaú. A história de Jacó termina no relato das desgraças de José, vendido pelos seus irmãos, e no relato da fome que inicia o patriarca e a sua família a instalar-se no Egito, depois de José ter perdoado aos seus irmãos.

A tradição patriarcal comporta certo numero de temas teológicos: a promessa feita a Abraão e à sua posteridade de receber em herança a terra de Cannaã; o nascimento providencial do filho de Abraão; a especial proteção concedida a Sara, Rebeca e José. A narrativa bíblica insiste igualmente nos laços de parentesco – e na rivalidade – que existiam entre Israel e os seus vizinhos. Àmon e Moab são os filhos de Lot (Gênesis 19, 37-38); Esaú é o fundador de Edom. Seguidamente, personagens como Lot e Esaú passam para segundo plano, ao mesmo tempo em que todo o interesse se concentra em Abraão, Isaac e Jacó, o que tem como efeito pôr em evidência o plano de Deus.

Os patriarcas são muitas vezes apresentados como seminômades ou comparados aos beduínos atuais. Na Realidade, a menos que se refute a autenticidade bíblica, somo forçados a reconhecer que Abraão era, de fato, um citadino que as circunstâncias levaram a abandonar a sua terra. É verdade que teve de adaptar o seu modo de vida às condições da viagem. Quanto à terra de Canaã, não há duvida de que era diferente no 2.° milênio do que veio a tornar-se nos nossos dias. Por outro lado os beduínos têm a sua própria história e nunca estiveram isolados do mundo num deserto eterno. Seria, pois, prudente admitir que sabemos pouco acerca da existência dos patriarcas, em vez de nos aventurarmos com meras hipóteses.

Do Êxodo à instalação em Canaã (1300-1100 a.C.)

Está serie de acontecimentos (o Êxodo, a vagueação no deserto, o Sinai, a chegada a Canaã) constituiu um conjunto indivisível. É impossível afirmar que o relato bíblico relativo a este período é de uma clareza absoluta.

À primeira vista, dir-se-ia que os doze filhos de Jacó (os antepassados fundadores das doze tribos) se dirigiram ao Egito. Os seus descendentes foram ai reduzidos à escravatura e em seguida deixaram o país. Depois de terem vagueado no deserto, recebem a lei no monte Sinai. Finalmente, apoderam-se pela força do território de Ámon e de Galaad, na Tranjordânia (ver p. 204), e da maior parte da margem ocidental do Jordão.

Contudo, um exame mais aprofundado do problema, ainda que nenhuma solução recolha o assentimento unânime do conjunto dos especialistas, faz com que se perfile uma situação muito mais complexa. Com efeito, o relato relativamente simplificado do parágrafo anterior choca com certo número de fatos, por vezes contraditórios, que nos limitaremos a enunciar. 1) Gênesis 34 dá conta da conquista da Siquém pelos israelitas durante o período patriarcal, portanto antes do Êxodo, ao passo que o Livro de Josué não dá nenhuma informação explicada sobre a ocupação desta região.2) Gênesis 38 dá a entender que Judá não desceu para o Egito, mas que permaneceu em Canaã. 3) Números 21, 1-3 evoca uma invasão de Canaã pelos israelitas vindos do sul, e não pelo Jordão, situado a leste.4) Números 33, 41-49 relata que uma primeira vaga de israelitas veio instalar-se em Canaã, passando por Edom e Moab, no século XIV, ou seja, antes do Êxodo.5) A lista das tribos comporta variantes. Assim, a de Simeão não figura no Deuteronômio 33; o total de doze só é obtido após a divisão da descendência de José em Efraim e Manassés. Esta enumeração esta longe de ser completa, como se poderá verificar lendo uma análise crítica da história de Israel.

Se nos ativermos ao relato simplificado, ficamos a saber, que os hebreus se instalaram no Egito, na região de Gessen (Gênesis 47, 27). Depois reduzidos à situação de escravos algumas décadas após a morte de José, são utilizados na reconstrução das cidades de Pitom e Ramsés (Êxodo 1, 11). É geralmente admitido que a escravização dos israelitas começou quer sob Sethi I (1306-1290 a.C.), que foi um grande construtor; quer sob Ramsés II (1290-1224), do qual sabemos que estabeleceu a sua capital na parte oriental do delta do Nilo, fundando uma cidade a que deu o seu nome. Por outro lado, como o faraó do Êxodo era o sucessor do da opressão (Êxodo 2, 23) só pode tratar-se de Ramsés II ou de Mineptá (1224-1214). As opiniões dividem-se igualmente no que se refere ao itinerário seguido pelos hebreus para ir de Gessen ao mar Vermelho (ou mar dos Juncos). Segundo a tradição, eles teriam atravessado um barco meridional do lago mensalé; depois, ter-se-iam dirigido para os lagos amargos antes de contornarem a costa oriental do golfo de Suez e de penetrarem na península do Sinai em direção ao Djebel Musa. Segundo outra hipótese, eles teriam caminhado em direção a leste, para além do lago Timsah, para alcançar o Djebel Helal, no Sinai. Por fim, Alguns exegetas pensam que os israelitas poderão ter percorrido a língua costeira que separa o lago Sirbonis do Mediterrâneo e que terá sido precisamente nesse local que o exército de faraó terá perecido.

De Fato, é extremamente difícil reconstituir o itinerário do Êxodo. Isso se deve essencialmente à impossibilidade de identificar com certeza a maior parte dos lugares mencionados no relato bíblico. A este respeito, vários especialistas sugeriram que esses lugares poderiam corresponder às etapas de diversas peregrinações comemorativas e não propriamente às do trajeto efetivamente percorrido por ocasião do Êxodo.

No plano geográfico, a conquista de Canaã poucas dificuldades apresenta. O livro de Josué nem por isso deixa de apresentar certo número de lacunas no que se refere à sua descrição das várias regiões conquistadas. Depois da tomada de Jericó e da caminhada para a montanha de Betel em ordem ao ataque de Ai, Josué lança o seu exército contra a parte setentrional da depressão (ou “baixa”) de Jerusalém. É aí que ele põe em debandada uma coligação de reis da Judéia e da Sefela, que tinham vindo vingar-se da cidade de Gabaon, que fizera aliança com ele. Depois tira partido da sua superioridade assaltando outras cidades da região (Josué 6-10). Contrariamente a toda a expectativa, a operação seguinte não tem por objetivo a zona montanhosa a norte de Jerusalém, mas Hasor, na Alta Galiléia (Josué 11). Esta campanha é a ultima de que se faz explicitamente menção na narração bíblica. É verdade que a lista dos reis vencidos pelos israelitas, que encontramos em Josué 12, nos traz algumas informações complementares. Todavia, à exceção de algumas alusões de ordem geral, o Livro de Josué esta longe de apresentar uma relação circunstanciada da conquista do conjunto do país.

As opiniões dividem-se quanto à maneira como os israelitas tomaram efetivamente posse da terra de Canaã. Alguns especialistas do Antigo Testamento afirmam que a realidade da conquista é confirmada pelas descobertas arqueológicas que tendem a demonstrar que os exércitos de Josué teriam sido apoiados na sua ação por israelitas instalados na região antes de Êxodo. Outra teoria consiste em avançar que Israel teria nascido de uma revolta geral das populações locais contra a política tirânica das cidades Cananéias. Sem por isso nos determos demasiado em pormenores históricos, estas divergências de opiniões sugerem as seguintes observações: 1) Certas descobertas arqueológicas parecem confirmar os escritos de Josué, segundo os quais várias cidades teriam efetivamente sido destruídas pelos israelitas. Rejeitar a priori tais elementos equivaleria a dar mostras de um excesso de prudência a que se recorreria para um texto que não fosse a Bíblia. 2) Outras descobertas parecem, pelo contrario, infirmar o relato de Josué, cuja historicidade permanece sujeita a caução. 3) A hipótese segundo a qual comunidade israelitas teriam residido em Canaã antes da conquista não é inverossímil. 4) As pesquisas levadas a cabo sobre o modo de vida das sociedade agrícolas do inicio da Idade do Ferro que viveram na região revelaram, sem dúvida, fatos novos. Com efeito, é evidente que o Livro de Josué deixa numerosas zonas de sombra sobre os acontecimentos que se desenrolaram na terra de Canaã entre os séculos XIII e XVI a.C.

O período dos juízes e o início da monarquia (1100-1000 a.C.)

As primeiras décadas deste período, tais como nos são relatadas no Livro dos Juízes, são dominadas por invasões estrangeiras, apresentadas pelos autores como outros tantos castigos divinos infligidos a Israel para puni-lo por ter-se voltado para outros deuses. Quanto aos libertadores do povo, apresentam-se como chefes reconhecidos pelo conjunto da nação, se bem que a pareça que os perigos que tiveram de enfrentar não terão sido, na realidade, mais do que meros incidentes locais. O livro menciona apenas uma única ameaça séria: a coligação Cananéia dirigida por Sísera e vencida pó Barac e Débora (juízes 4-5).

No final deste período, a tribo de Dan viu-se ameaçada pelos filisteus, um povo não semita vindo do mar no século XII, que se instalara ao longo da planície costeira, no Sul do país. Depois de ter obrigado os danitas a emigrar para o Norte, parece que os filisteus se viraram contra Judá, cujo território confinava com a sua fronteira oriental. A verdade é que se trata apenas de uma hipótese que não é confirmada pela narração bíblica, a menos que se admita que o combate de Davi contra Golias se tenha verificado não sob o reinado de Saul, mas nos tempos dos juízes. Se for provável que os filisteus tenham evitado atacar Judá, nem por isso deixaram de multiplicar os ataques contra Benjamim e Efraim. Foi assim que os filisteus esmagaram os israelitas em Afec (1 Samuel 4, 1-11) e depois ocuparam provavelmente a região de Betel antes de irem destruir Silo. Foi durante este período que Saul subiu ao trono.

O texto de 1 Samuel 8-11, relativo à instituição da realeza, parece constituir uma síntese de três versões diferentes. Ao passo que um historiador moderno teria escolhido a versão mais verossímil, acompanhando-a de notas apropriadas, os cronistas bíblicos preferiram conservar o conjunto da tradição, apesar das discordâncias que não deixam de esmaltar o seu relato. Em 1 Samuel 8, os israelitas exigem um rei, contra opinião do profeta que lhes censura o fato de rejeitarem a soberania de Deus. Segundo 1 Samuel 9, 1-10; 16, é o próprio Deus que pede ao profeta que faça de Saul o príncipe de Israel. Enfim, 1 Samuel 11 relata a maneira como Saul libertou Jabes dos amonitas,vitoria que permitiu a “confirmação” da realeza. Sabemos pouco o reinado de Saul. Ignoramos a sua própria duração, que segundo as diversas estimativas, varia de dois a trinta e dois anos. De igual modo, é impossível precisar se a sua passagem pelo poder trouxe a paz ao seu povo ou se terá sido apenas um breve episodio na luta contra os filisteus.

As investigações recentes chegam a pôr em duvida a própria realeza de Saul. Ele terá sido antes um chefe guerreiro. Neste caso, conviria recolocar a instituição da monarquia num contexto muito mais vasto do que o que decorre da simples ameaça filistéia. Contudo, somos forçados a admitir que não estamos em condições  de determinar o modo como essa ameaça militar vem articular-se com os fatores de ordem social.
Saul e seus filhos pereceram combatendo os filisteus no monte Guiboa, perto do ale de Jezrael. Foi a Daí que coube transformar a derrota em vitoria a partir de uma base territorial consideravelmente reduzida. Davi era uma personagem enigmática que contava os moabitas e os amonitas entre os seus antepassados. Escorraçado da corte por Saul, que suspeitava que ele lhe queria arrebatar o trono,levou uma vida errante de fora-da-lei, acompanhado por um conjunto de elementos dispares (1 Samuel 22, 1-2). Exasperado pelas perseguições de que era objeto por parte de Saul, pôs-se ao serviço dos filisteus e tornou-se vassalo de Aquis, rei de Gat, que lhe deu o comando da cidade de Siclag. Davi nem por isso deixou de continuar a manter secretamente boas relações com a tribo de Judá, da qual foi proclamado rei em Hebron, após a morte de Saul. Tendo sido igualmente mortos Abner, comandante do exercito, e depois Isboset, o herdeiro do trono, Davi dói sagrado rei de todo o povo de Israel. S seqüência dos acontecimentos comporta certas zonas de sombra. Seja como for, verifica-se que Davi instalou a sua capital em Jerusalém depois de dela ter expulsado dos jebuseus, submeteu definitivamente os filisteus e estendeu o seu domínio sobre Damasco, Ámon, Moab e Edom. Parece que Davi terá tido mais êxito como chefe guerreiro do que nos negócios do Estado. O seu reinado foi ensombrado por duas revoltas, uma das quais comandadas por seu filho Absalão. Mas, apesar das suas falhas, a grandeza de Davi mantém-se inquestionável. Provocou uma reviravolta radical na situação política e militar a favor do seu povo. Ao estabelecer a sua capital em Jerusalém, conferiu a esta cidade uma importância que a historia iria consagrar.

De Salomão à queda de Jerusalém (c. 970-587 a.C.)

Salomão, filho de Davi, retomou, desenvolvendo-a, a obra de seu pai. Sob o seu reinado, Israel conheceu o apogeu da sua grandeza em muitos domínios. Jerusalém foi engrandecida e foi construído o templo, a nordeste da velha cidade de Davi. Numerosas cidades foram reconstruídas. Salomão estabeleceu relações comerciais com os seus vizinhos, tornando-se ao mesmo tempo célebre pelos seus provérbios e poemas. A sua corte foi particularmente suntuosa. Mas foi ainda sob o seu reinado que o império de Davi começou a esboroar-se. Para cobrir os seus gastos, cedeu a Tiro cidades da planície costeira a norte de Aco. Foi até ao ponto de impor tarefas servis aos homens de Judá.

Com a morte de Salomão, por volta de 928 a.C., seu filho Roboão teve de fazer face à oposição das tribos do Norte, que, exasperadas pelos abusos do reinado anterior, se recusaram a reconhecer a sua soberania e fizeram secessão. Foi assim que se criou, sob a direção de Jeroboão, um novo reino, Israel, cuja primeira capital foi Siquém. Este cisma político pode explicar-se pelo ressentimento das tribos do Norte na seqüência dos pesados fardos, que Salomão lhes tinham imposto. No entanto, é preciso não perder de vista que as relações entre as tribos tinham sido sempre precárias. A verdade é que elas só se tinham unido para resistir aos filisteus. Quanto a Davi, teve de fazer frente a duas revoltas, uma das quais tinha tido lugar precisamente no norte. Segundo o autor de 1 Reis 11, o cisma teria sido a conseqüência a apostasia de Salomão, que se tinha desviado do Deus de Israel para servir os deuses das suas numerosas esposas estrangeiras. Teria sido talves apostasia que tinha tornado o rei insensível aos princípios de justiça social implícitos na aliança de Israel com seu Deus.

O novo reino do Norte tinha sido estabelecido não apenas em nome da justiça social. Mas também por razões religiosas. Jeroboão fundou dois santuários um em Betel e outro em Dan, contendo cada um deles um bezerro de ouro. Depois anunciou ao povo: “Israel, ei o teu Elohim que te fez sair do Egito” (1 Reis 12, 28). A palavra Elohim é um plural hebraico que significa “deuses” que pode igualmente designar o Deus único. Para os cronistas dos livros dos Reis, que acusavam o reino do Norte de se entregar à idolatria, só podia tratar-se do plural. Quanto ao próprio Jeroboão, cuja rebelião recebera a aprovação do profeta Aías, não é impossível que tenha querido, ao criar o reino do Norte, restaurar a religião primitiva do tempo do Êxodo, religião que tinha perdido muito da sua pureza no meio dos fastos reais que rodeavam o Templo de Jerusalém.

A fronteira entre o reino de Judá, no sul, e o de Israel, no Norte passava entre a depressão de Jerusalém e a montanha de Betel, seguindo uma linha cujo traçado devia variar em funções dos conflitos que opunham os dois Estados. Desde o inicio tiveram ambos de suportar a hostilidade do reis do Egito Sheshonk I (945-924 a.C.). Em 924, este desencadeou uma operação militar dirigida contra as cidades fortificadas de Judá e de Israel, verossimilmente com o objetivo de enfraquecê-las a ambas. Sheshonk impôs um pesado tributo a Jerusalém. Foi provavelmente na seqüência desta campanha que Jeroboão decidiu transferir a capital de Siquém para Fanuel, na Tranjordânia.

Nos primeiros anos do século IX assistiu-se ao domínio de Judá, aliado de Damasco, sobre Israel. Foi assim que, aproveitando-se da ameaça exercida por Damasco contra as cidades da Alta Galiléia, Judá pôde consolidar a sua fronteira setentrional. Por volta de 882, o reino do Norte foi teatro de uma guerra civil. O vencedor, Omri (c. 882-871), dispôs-se então a fazer de Israel um dos Estados militares Mais poderosos da região. Transferiu a sua capital para a nova cidade de Samaria, submeteu a região de Moab e impôs-se a Judá. Omri e depois seu filho Acab (c. 873-852) esforçaram-se por substituir a religião do Deus de Israel pela do Baal de Tiro, de que Jezabel, esposa de Acab, era uma adepta convicta. Esta política oficial levantou uma viva oposição da parte das comunidades proféticas dirigidas por Elias e Eliseu. Ao longo do seu reinado, Acab teve de fazer face ao perigo representado pela Assíria e, principalmente, por Damasco, contra o qual travou duras batalhas antes de ser morto em Ramot de Galaad. Foi sob o reinado de Jorão, filho de Acab, que Eliseu suscitou uma rebelião e fez com que fosse ungido rei Jéu, o chefe do exercito (842-814).Este mandou matar todos os membros da casa de Omri e de Acab e depois fez desaparecer todos os templos de Baal. Jeú foi, no entanto, obrigado a pagar um pesado tributo à Assíria. Teve igualmente de lutar – tal como seu filho Joacaz – contra Hazael, rei de Damasco. Em Judá, um golpe de Estado contra a rainha-mãe Atalia, filha de Acab, teve como efeito levar Joás (836-798) ao trono. Também ele teve de lutar contra Hazael, que acabou por impor-lhe um tributo.

Durante a primeira metade do século seguinte, os dois reinos se beneficiaram de certa trégua, depois dos assírios terem esmagado Damasco. Ozias (c. 785-733), em Judá e Jeroboão II (c. 798-748), em Israel, tiveram um reinado longo e prospero. Entretanto, a injustiça social predominava, sobretudo no reino do Norte. Foi nesta época que Amós e Oséias, os primeiros profetas “clássicos”, apelaram ao arrependimento na previsão do castigo iminente. Depois do acesso ao poder de Tiglate-Pileser, ao trono da Assíria (745), os dois reinos viram-se de novo expostos ao perigo vindo do Norte. Damasco e a Galiléia, a Transjordânia judaica, caíram sucessivamente sob o domínio da Assíria (733). Quanto a Acaz, rei de Judá, que (apesar dos apelos de Isaias) Solicitara o seu apoio contra Damasco e Israel, foi reduzido à categoria de vassalo. Em 724, Oséias, rei de Israel, revoltou-se contra os assírios: a queda de Samaria, após um cerco de três anos, assinalaria o fim do reino do Norte. A população local foi então deportada e substituída por colonos vindos de diferentes regiões do império. Sob Ezequias (c. 727-698), o reino de Judá, que tentara libertar-se do jugo assírio, foi de novo invadido (701). Jerusalém sitiada permaneceu inviolada, mas o país teve de submeter-se e iria permanecer vassalo da Assíria durante a maior parte do reinado de Manassés (698-642). Este período, marcado por um recrudescimento da idolatria, é considerado como um dos mais sombrios da história de Judá.

O poderoso assírio estava em declínio quando Manassés morreu. Seu filho foi assassinado após dois anos de reinado e Josias (640-609) tornou-se rei com a idade de oito anos, apoiado pelo partido nacionalista. Josias esteve na origem de uma vasta reforma religiosa. Restaurou o Templo de Jerusalém, eliminou todos os lugares de culto e extirpou as práticas idolátricas. Estendeu a sua influencia sobre certas regiões que tinham pertencido ao antigo reino do Norte. Josias conheceu um fim trágico: foi morto em Meguido ao tentar barrar o caminho a o faraó Necau II (610-595), em guerra com os assírios. Estes últimos foram finalmente esmagados em karkemish pelos babilônicos.

As reformas instituídas por Josias desapareceram com ele. De novo, o profeta Jeremias, cujo ministério começara em 627 a.C., anunciou a iminência do castigo. Em 597, Nabucodonosor, rei da Babilônia, apoderou-se de Jerusalém e precedeu à primeira deportação. Os reis Joaquim e Ezequiel figuravam entre exilados. Em 589, Sedecias, tio de Joaquim, que reinava desde 597, revoltou-se contra Babilônia. Jerusalém foi de novo sitiada e, apesar dos conselhos de Jeremias, que defendia a rendição, resistiu durante dezoito meses. A cidade caiu em 587 e foi destruída, assim como o templo. Seguiu-se uma segunda deportação (menos maciça que a anterior). O governador Godolias foi então instalado em Mispá, mas acabou por ser assassinado por Ismael, membro da família real. Temendo as represálias Babilônicas, os partidários de Godolias fugiram para Táfnis (Tell Dafana?), no Egito forçando Jeremias a acompanhá-los.

Do Exílio ao inicio da dominação romana (587-63 a.C.)

Os judeus deportados foram implantados numa região situada entre a Babilônia e o Uruk, ao longo do canal que Ezequiel 1,1 designa sob o nome de rio kebar: O rei (Joaquim) e os outros notáveis, porem, estavam prisioneiros na Babilônia. Para todos aqueles exilados, a verdade é que a Babilônia, com os seus canais, os seus jardins e os seus imponentes edifícios, devia construir um espetáculo pelo menos inesperado. Aos olhos de muitos deles aquela cidade devia representar uma civilização e uma religião superiores às de Judá. Contudo, Apesar do desastre que implicava o Exílio não deixou de ser; para os judeus fiéis, um período de intensa atividade e de reflexão. Foi nesta época, notadamente, que foi reunido o essencial dos elementos que permitiriam levar a cabo a composição do Antigo Testamento sob a sua forma atual. O Exílio corresponde igualmente ao inicio da dispersão mundial dos judeus (o termo “judeu” data desta época). Quando a Babilônia foi vencida, em 540, por Ciro, rei dos persas, e o exilados foram autorizados a regressar à sua terra, uma parte deles decidiu permanecer onde estava. Por outro lado, uma colônia judaica constituir-se-ia no século V, no Egito, em elefantina, a norte da primeira catarata do Nilo. Composta por Mercenários que tinham servido no exército persa possuía o seu próprio templo.

Os que regressaram ao país, por volta de539, tiveram de enfrentar numerosas dificuldades e o templo só pode ser reconstruído em 516. Neemias tinha encontrado Jerusalém num estado desolado: As muralhas estavam arruinadas e os raros habitantes que restavam tinham deixado de respeitar qualquer lei. Com a ajuda de Esdras, que foi seu sucessor, restabeleceu a ordem social e religiosa e permitiu assim a Judá sobreviver ao seu desastre. A Região viria a sofrer um novo abalo político com a vitória de Alexandre Magno sobre os persas, em Isso, em 333 a.C. O vencedor anexou a Síria, a palestina e o Egito, que se Abriram assim à cultura e à língua gregas. Após a morte de Alexandre, Judá caiu sob a suserania dos Ptolomeus do Egito, dinastia fundada por um dos generais do imperador. Foram então edificadas a cidades gregas, designadamente na Transjordânia.  Entre 200 e 198, Judá foi arrebatado ao Egito pelos Selêucidas, os soberanos gregos da Síria. Jerusalém tornou-se então o teatro de uma violenta rivalidade entre partidários e adversários da cultura helênica. Quanto à dignidade de grande sacerdote, doravante ela era atribuída a quem dava mais, revertendo o beneficio da transação para soberanos selêucidas. Sob Antíoco IV (175-164), a religião judaica foi proscrita e o templo profanado pelo culto de Zeus Olímpico (dezembro de 167).

Foi esta decisão de Antioco que provocou a revolta dos Macabeus, inspirada pelo sacerdote Matatias de Modin e dirigida por seus filhos Judas (167-160), Jônatas (160-143) e Simão (142-135/4). Não é impossível que o levantamento tenha começado antes da proscrição do judaísmo e que esta tenha sido apenas uma medida de represália. Seja como for, a verdade é que foi a casa de Matatias (a dinastia dos Asmoneus) que o promoveu. O resultado dos combates permaneceu durante muito tempo indeciso. Conhecemos as suas peripécias mais marcantes. Em 164, o Templo reconquistado foi purificado. A partir de então, o acontecimento é comemorado todos os anos na festa de Hanucá. Em 152, Jônatas foi sagrado sumo sacerdote. Em 142, a autonomia judaica era reconhecida por Demétrio 11. O tempo das provações nem por isso tinha terminado e foi preciso esperar o ano 128, sob o reinado de João Hircano (135/4-104), para ver, finalmente, a paz estabelecer-seno país.

João Hircano e Aristóbulo I (104-103), seu sucessor, contribuíram para dar ao país o aspecto que ele teria no tempo de Jesus. A Iduméia (o reino edomita estabelecido a sul de Judá, no regresso do Exílio) Foi convertida à força ao judaísmo. A presença e a influência judaicas intensificaram-se na Galiléia e na Transjordânia (Peréia). Após o reinado de Alexandre Janeu (103-76) e de sua esposa, Salomé Alexandra (76-67), estalaram rivalidades dentro da família real, que arrastaram consigo a queda da dinastia asmonéia e a intervenção do general romano Pompeu (63 c.C.).

A dominação romana até o fim do período apostólico (63 a.C. – 100 d.C.)

As primeiras décadas da dominação romana na Judéia foram marcadas tanto pela luta pelo poder que se desenrolava em Roma (Pompeu foi vencido por Júlio César e depois, após o assassínio deste ultimo, Marco Antônio e Octávio confrontaram-se por sua vez), como por uma tentativa dos Asmoneus para retomarem o trono. Em 40 a.C., Herodes, Um idumeu foi nomeado rei da Judéia pelos romanos. O seu reinado (37-4 a.C.) foi um período de paz e de grandes trabalhos públicos. Cesaréia foi promovida à categoria de capital e Jerusalém tornou-se a cidade que Jesus viria a conhecer. O templo foi aumentado e praticamente reconstruído. Com a morte de Herodes, o seu reino foi partilhado entre três de seus filhos. Herodes Antipas (aquele que segundo os Evangelhos mandou decapitar João Batista) reinou sobre Galiléia e a Peréia até a sua deposição, em 39 a.C. Filipe recebeu os territórios do Noroeste. Quanto a Arquelau, foi-lhe concedida a Judéia, a Iduméia e a Samaria. Arquelau foi deposto no ano 6 d.C. e substituído por procuradores, notadamente Pôncio Pilatos (26-36 d.C.). O governo dos procuradores foi interrompido quando Herodes Agripa I, rei da Galiléia e de Peréia, se tornou igualmente soberano da Judéia, da Iduméia e da Samaria, em 41 d.C. Após a sua morte, em 44, o governo viria a ser confiado de novo a procuradores romanos. A administração destes procuradores, muitas vezes corrupta e tirânica, trouxe consigo perturbações cada vez mais graves que desembocaram na primeira revolta judaica (66 d.C.). A titulo de represália, os romanos destruíram Jerusalém e o seu Templo (70). Quanto aos sobreviventes da rebelião, entrincheirados em Massada, preferiam suicidar-se a render-se (73).

O ministério de Jesus

A origem do cristianismo e os inícios do seu desenvolvimento estão intimamente ligados à história da Palestina no século I. Jesus de Nazaré, o seu fundador, nasceu sob o reinado de Herodes, o Grande, verossimilmente no ano 4, ano da morte do rei. Sem entrar em outros pormenores, o texto de Mateus 2, 1-23 deixa entender, também ele, que Jesus nasceu no fim do reinado de Herodes. Mateus precisa igualmente que os seus pais fugiram com ele para o Egito para evitar que fosse massacrado com os outros meninos de Belém; depois, tendo sabido da morte do soberano, regressaram, não a Judéia, onde reinava Arquelau, mas a Galiléia (Mateus 2, 22-23). Esta indicação poderia implicar que a família tinha a sua residência habitual em Belém.

Segundo Lucas 2, 1-7, a data do nascimento de Jesus coincide com a do recenseamento ordenado na época em que Quirino era governador da Síria (ainda que o texto grego admita várias interpretações). Como Quirino foi nomeado para este posto no ano 6 d.C., numerosas objeções  foram avançadas quanto à tradução e à historicidade destes versículos. Por outro lado, o relato de Lucas indica que a família residia em Nazaré e só tinha vindo a Belém para o recenseamento; tendo cumprido as obrigações rituais em Jerusalém, tinha regressado a Nazaré. Justapondo os relatos de Lucas e de Mateus, poderá supor-se que, depois de ter deixado Nazaré para Belém em ordem ao recenseamento, a família aí tenha permanecido alguns dias antes de subir a Jerusalém. Regressada a Belém, recebeu a visita dos magos. Seguidamente, fugiu para o Egito e só regressou a Nazaré depois da morte de Herodes.

A narrativa evangélica propriamente dita começa com o ministério de João Batista, que Lucas 3, 1-2 situa no décimo quinto ano de Tibério, ou seja, por volta de 28 ou 29 d.C. (ou 27, segundo estimativas baseadas no calendário judaico). É provável que João Batista exercesse o seu ministério na região de Jericó. Jesus desceu da Galiléia para receber o batismo e, segundo o Evangelho de João (1, 35-51), entrou em contato com alguns dos seus futuros discípulos. Antes mesmo da prisão do Batista (João 3, 24), Jesus tinha já reunido alguns fiéis (João 2, 1-2), visitara Jerusalém (João 2, 13-3, 21) e passara certo tempo na Judéia.

Foi sem dúvida a prisão de João Batista que determinou o início do ministério de Jesus na Galiléia (Marcos 1, 14). Este ministério durou provavelmente um ano, mas é praticamente impossível reconstruir a sua cronologia exata. Com efeito, nos Evangelhos, os elementos relativos a este período estão essencialmente catalogados por ordem temática, sem qualquer indicação de datas. Podemos daí deduzir, no entanto, que, depois de ter estabelecido o seu centro em Cafarnaum (Mateus 4, 13), Jesus designou doze discípulos e enviou-os dois a dois para pregar e curar (Marcos 6, 7-13), ensinou com freqüência perto do mar da Galiléia e atravessou-o várias vezes, sendo seguido por um grupo de mulheres, algumas das quais suas parentes (Lucas 8, 2-3).

No final deste período, Jesus retirou-se primeiro para a região de Tiro e Sídon (Marcos 7, 24-30), depois para a região da Decápole (Marcos 7, 31-37), e, por fim, para as povoações de Cesaréia de Filipe, onde Pedro lhe declarou que conhecia nele o Messias (Marcos 8, 27-30). A transfiguração deu-se alguns dias mais tarde, provavelmente no monte Hérmon, perto de Cesaréia de Filipe (Marcos 9, 1-8).

Depois de ter deixado a Galiléia, Jesus e os seus discípulos dirigiram-se para a Judéia e para Peréia (Marcos 10, 1), onde verossimilmente permaneceram durante seis meses, até a semana Santa. Pode ter acontecido que durante este período eles tenham, por vezes, subido a Jerusalém por ocasião das grandes festas.

A Semana Santa teve provavelmente lugar em abril do ano 30 d.C. Para Jesus e seus discípulos, ela começou pela entrada triunfal em Jerusalém. Os dias seguintes foram passados em pregações e discussões no Templo. À noite, retiravam-se para Betânia. Na quinta-feira à noite, Jesus reuniu os seus discípulos para a refeição pascal (Marcos 14, 12-16). Mantém-se a questão de saber se o acontecimento teve de fato lugar na data oficial da Páscoa. Segundo João (18, 28), é evidente que ele se desenrolou na véspera daquela data oficial. Com efeito, o único ponto sobre o qual os Evangelhos estão é de que se tratava de quinta-feira, à noite, o que não constitui uma resposta satisfatória à questão de saber se essa quinta-feira correspondia à data oficial. A este respeito, não é impossível que, sabendo que ia morrer no dia seguinte, Jesus tenha decidido celebrar a Páscoa um dia mais cedo a fim de melhor marcar a sua última noite sobre a Terra. Em seguida, a prisão, o seu processo e a sua execução desenrolaram-se de tal maneira que o suplício pode ter tido lugar antes do início das festas.

Dois dias após a sua morte, os seus discípulos encontraram o túmulo vazio. Donde a convicção de que Jesus se mantinha vivo quando lhes apareceu em diversas circunstâncias em Jerusalém e na Galiléia (1 Coríntios 15, 3-11). Foi durante a última dessas aparições, na Galiléia, segundo Mateus (28, 16-20), ou perto de Jerusalém, segundo Lucas (24,44-53; Atos 1, 1-11), que Jesus definiu a missão dos seus discípulos.

A expansão da Igreja antes das viagens missionárias de Paulo (30-46 d.C.)

A primeira comunidade cristã tinha-se formado em Jerusalém. Os seus membros dirigiam-se ao Templo com regularidade e levavam uma vida comunitária (Atos 4, 32-36). Era constituída por judeus de cultura aramaica e grega. Um dos helenistas, Estêvão, não tardou a evidenciar-se por um zelo ardente que lhe valeu o martírio. A perseguição que se segui à morte de Estêvão dispersou os cristãos. Foi então que Filipe, outro helenista, se encarregou da evangelização dos samaritanos com a aprovação dos apóstolos que tinham permanecido em Jerusalém (Atos 8, 4-17). Sob o impulso de Pedro, instalado em Jopé, o trabalho missionário prosseguiu na Cesaréia, marcado pela conversão do centurião Cornélio e de sua família (Atos 10). De regresso a Jerusalém, por volta de 44 d.C., Pedro foi preso pouco tempo depois de Herodes Agripa I ter mandado executar o apóstolo Tiago (Atos 12, 1-19). Entretanto, o cristianismo alargava a sua audiência e, notadamente em Antioquia, dirigia-se igualmente aos pagãos.

O grande artífice da evangelização dos pagãos iria ser Saulo de Tarso, mais conhecido sob o nome de Paulo. Depois de ter perseguido a Igreja, acabou por converter-se, por volta de 32 d.C., na seqüência de uma visão que tivera no caminho de Damasco, onde tinha ido prender cristãos. Após a sua conversão, Paulo refugiou-se na Arábia, provavelmente no país dos nabateus, onde parece que o seu zelo missionário terá a hostilidade das autoridades a ponto de torná-lo indesejável quando regressou a Damasco (2 Coríntios 11, 32-33). Três anos mais tarde, passou duas semanas em Jerusalém, onde encontrou Pedro e Tiago, irmão de Jesus (Gálatas 1, 18-19). Nada sabemos das Atividades de Paulo durante os oito ou nove anos que se seguiram, a não ser que fez uma estada em Jerusalém (Gálatas 2, 1 ss), quer no início, quer durante as suas viagens missionárias.

As viagens missionárias de Paulo

A evangelização dos gentios constitui um dos temas principais dos Atos dos Apóstolos. Desde o início, os primeiros cristãos puseram-se a questão de saber se Jesus era o enviado de Deus para os não judeus tais como para os judeus. Por outro Lado, eles perguntavam-se os não judeus convertidos ao cristianismo deviam igualmente observar os preceitos de Moisés. Segundo os Atos, estas interrogações foram impostas pelas circunstâncias. Com efeito, em Cesaréia, foi na seqüência de uma visão que Pedro pregou o Evangelho ao centurião Cornélio. Em Antioquia, foram fiéis, obrigados a deixar Jerusalém após o martírio de Estêvão (Atos 6-7), que se encarregaram da evangelização dos pagãos. Antioquia tornou-se uma comunidade mista, onde se encontravam lado a lado cristãos de origem judaica e não judaica comunidade a que Paulo iria aderir por iniciativa de Barnabé (Atos 11, 25-26). A situação de Antioquia relativamente à Ásia Menor, assim como o caráter compósito da sua comunidade cristã, iria fazer dela a base de partida ideal em ordem ao desenvolvimento do cristianismo (Atos 13, 1-3).

Barnabé Nascera em Chipre (Atos 4, 36). Pareceu-lhe, portanto, natural que os missionários fizessem escala naquela ilha antes de se dirigirem a Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe, na Ásia Menor (47-48 d.C). Em todas estas cidades eles dirigiam-se em primeiro lugar, aos judeus. Mas a mensagem atingia também outros ouvintes. Tratava-se geralmente de gentios que tinham já sofrido a influencia do judaísmo (ver Atos 14, 1). Por vezes, como no caso de Sergius Paulus, o Evangelho era diretamente anunciado aos gentios (Atos 13,7-12). Ao deixar Derbe, Paulo e Barnabé voltaram atrás, a fim de fortalecer a fé dos fiéis e de organizar as novas igrejas (Atos 14, 23). Depois embarcaram em Atalia para Antioquia, sem passar de novo por Chipre.

Assim, o modo como os não judeus acolhiam a mensagem do evangelho constituía a resposta à questão de saber se Deus tinha enviado Jesus tanto para os judeus como para os gentios. Quanto ao problema relativo à observância dos preceitos de Moisés, a solução viria a ser encontrada no concílio apostólico de Jerusalém (Atos 15). Foi então unicamente recomendado aos pagãos convertidos que se abstivessem da libertinagem e das carnes oferecidas aos ídolos ou provenientes de animais sufocados (Atos 15, 20, 29). A missão de Paulo e de Barnabé foi aprovada. O caminho estava livre para a segunda viagem missionária (49-52 d.C).

O objetivo desta segunda viagem era visitar as igrejas que acabaram de ser fundadas. Mas, tendo Paulo recusado a Barnabé que João Marcos os acompanhasse de novo (ver Atos 13, 13; 15, 37-38), estes dois últimos embarcaram para Chipre (Atos 15, 39), ao passo que Paulo e Silas tornavam o caminho de Derbe, Listra e Icônio, passando provavelmente por Tarso, a cidade natal de Paulo.

Depois de terem deixado Icônio, sabemos apenas que “atravessaram a Frigia e o país dos Gálatas, tendo-os o Espírito Santo impedido de anunciar a palavra na Ásia” (Atos 46, 6-8). Encontramos em seguida os missionários em Tróade, onde Paulo teve a visão de um macedônio que implorava o seu auxílio. Em resposta a este apelo, embarcou com seus companheiros para Neápoles, antes de se dirigir, sucessivamente, a Filipos, Tessalônica, Beréia, Atenas e Corinto. Tendo sido presos em Filipos, Paulo e Silas converteram o seu carcereiro (Atos 16, 25-32). Em Tessalônica, a casa do seu hospedeiro foi atacada (Atos 17, 5). Em Atenas, Paulo pronunciou um discurso diante dos filósofos do Areópago. Quanto à estada em Corinto, parece que foi mais longa do que as outras (Atos 18, 18). Paulo conheceu lá Áquila e Priscila, expulsos de Roma na seqüência de édito de Cláudio de 49 d.C. (Atos 18, 2). Beneficiou igualmente da proteção do procônsul Galião, que, perante as acusações dos judeus integristas, se recusou a proceder contra ele, declarando que as suas atividades nada tinham de ilegal (Atos 18, 12-17). Seguidamente, Paulo regressou a Antioquia, passando por Éfeso e Cesaréia.

Por ocasião da terceira viagem (53-57 d.C.), Paulo percorreu em primeiro lugar a Galácia e a Frigia, a fim de fortalecer e encorajar as igrejas (Atos 19, 10). Encontrou os discípulos de Apolo que, embora crentes convictos, ignoravam tudo acerca do Espírito Santo e do batismo em nome de Jesus (Atos 18, 24-19, 7). Entretanto, o livro dos Atos dos Apóstolos insiste no fato de a estada em Éfeso ter sido, sobretudo, um período de intensa pregação e de milagres. O sucesso de Paulo era tão grande que provocou um motim dos ourives recurso dependiam do culto de Artemisa. A este respeito, em 1 Coríntios 15, 32 Paulo deixa entender que teve de combater contra as feras nas arenas de Éfeso. Contudo, poderia tratar-se apenas, neste caso, de uma metáfora espiritual.

Faltam-nos os elementos no que se refere à seqüência da viagem. A reconstituição do itinerário depende da maneira como se interpretam as epístolas aos Coríntios. No entanto, é-nos permitido pensar que Paulo embarcou para Tessalônica. Daí desceu até Corinto, antes de voltar atrás para se dirigir a Filipos. Seguidamente retomou o navio até Tiro, Fazendo breves escalas. Por razões evidentes, evitou Éfeso, mas pôde encontrar-se com os anciãos desta igreja em Mileto (Atos 20, 1-21, 17). De Tiro, foi até Jerusalém, passando por Cesaréia. “À nossa chegada a Jerusalém, os irmãos acolheram-nos com alegria.” (Atos 21, 17.).

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