A Bíblia e os Mapas da Terra Santa.

A cartografia da terra de Israel não era só o traçado de mapas de certa parte da Terra, mas também a harmonização da Terra com a Bíblia. Os relatos tanto do Antigo quanto do Novo testamento se situam na Terra Santa, em uma região que vai “de Dan a Beerseba” e que tem somente 80 quilômetros de largura por 240 de comprimento (juízes XX, 1, 1 Samuel II, 20, e 2 Samuel II, 10).  A Bíblia é, em si, uma espécie de mapa em palavras, e o melhor exemplo disso é Josué XIII, 19, onde se traçam as fronteiras das doze tribos de Israel. O traçado de mapas da Terra Santa era importante por vários motivos: em primeiro lugar, havia um grande interesse pela terra que era tão primordial para três das grandes religiões mundiais, o cristianismo, o judaísmo e o islã. Jerusalém – que muitos acreditavam ser o centro do mundo, o povo do universo, a porta do paraíso – constituía o centro de muitos mapas antigos. Mais tarde, a impressão da Bíblia gerou a necessidade não só de ilustrar bíblias, mas também de trabalhos que tivessem relação com ela, como dicionários, enciclopédias e, naturalmente, atlas.

Mapas que Têm Origem no Século III.

Os mapas dos tempos clássicos não sobreviveram em sua forma original, mas chegaram até os nossos dias copiados. Por exemplo, os mapas de Ptolomeu eram inicialmente uma parte da geografia de Cláudio Ptolomeu de Alexandria, cartografo do século II. Embora não existiam cópias originais deste mapa, há cópias feitas nos séculos XVI e XVII, quando a produção de mapas voltou ao período clássico. Os mapas de Ptolomeu orientavam-se para o norte e eram desenhados em escala sobre uma quadricula com longitude e latitude.

Outra amostra do século III eram os mapas mais conceituais de São Jeronimo, utilizados para ilustrar seus comentários sobre a Bíblia. Como no então último mapa-múndi, Jerusalém ocupa o centro do mundo e é maior que os países que a rodeiam. São Jerônimo era muito influenciado pelo seu contemporâneo Eusébio de Cesaréia, autor do Onomastikon, a primeira geografia bíblica. O mapa de caminhos militares romanos, chamado Peutinger Table, foi produzido em meados do século V; embora suas cópias mais antigas datem do século XIII, e esta agora guardada na Biblioteca Real de Viena. Trata-se essencialmente de uma longa relação de caminhos divididos por sinais que indicam os itinerários mais importantes entre as cidades do mundo romano, da Bretanha ao Ceilão.

O Mapa de Mosaico de Madaba.

O mapa de mosaico de Madaba foi encontrado em 1896 no piso de uma igreja bizantina na antiga cidade de Madaba, localizada 30 quilômetros ao sul de Amã, na Jordânia.  Embora algumas partes tivessem sido destruídas durante a construção de uma nova igreja anterior à sua descoberta, os trechos preservados (5 x 11 metros) mostram a Terra Santa do Mediterrâneo, à margem mais distante do mar Morto, e a cidade de Salém, perto de Betsan, à desembocadura do rio Nilo.

O mapa original, que provavelmente media quase 7 x 22 metros, era feito com mais de dois milhões de ladrilhos quadrados.

Extensas áreas do mapa continham explicações em grego e, em alguns casos, textos bíblicos. É um mapa ilustrado e orientado com o Mediterrâneo na parte inferior, com os traços principais da Palestina bizantina facilmente identificável. Por exemplo, estão desenhados os pontos de embarcações de transporte em dois lugares do rio Jordão.

No mar Morto aparecem duas embarcações, com seus ocupantes tachados de iconoclastas que não permitiam a utilização da figura humana nas igrejas. Há peixes nadando no Jordão, e um deles regressou com uma expressão acre na cara depois de provar as águas amargas do mar Morto.

O mapa inclui também lugares bíblicos importantes e demarcam as áreas das 12 tribos de Israel. A cidade maior, Jerusalém, é logo reconhecida, mas distinguem-se também outros 150 lugares bíblicos.

Os pontos de maior interesse são traçados com redes de caminhos, e este sistema é possível que derive do Peutinger Table, ao passo que alguns detalhes menores podem ter sido copiados do Onomastikon de Eusébio.

A grande quantidade de detalhes permite aos historiadores datar a feitura do mapa entre 560 e 565 d.C. Uma das maiores partes do mapa é dedicada à cidade de Jerusalém. O mapa é orientado para o leste, e ela aparece em forma ovalada, embora a cidade formasse, na verdade, um quadrado.

O canto sudeste do mapa de Jerusalém está destruído e, portanto, não há informação sobre a zona sul do monte do Templo.

As duas ruas principais da cidade bizantina estão bem visíveis, já que são ladeadas por avenidas com pórticos. Começam justamente dentro da porta de Damasco, numa grande praça assinalada por uma coluna alta, que nos tempos romanos devia sem duvida sustentar a estatua do imperador de Roma, e durante o último período que era coroado por uma cruz. Distinguem-se também as igrejas, já que todas têm telhado vermelho, enquanto as outras construções o têm amarelo. Destacam-se, sobretudo as três igrejas mais importantes. A igreja do Santo Sepulcro é representada “de cabeça para baixo” no centro do mapa. É possível ver seus traços arquitetônicos principais: a rotunda circular sobre o tumulo de Cristo e a escadaria que desce ao Cardo Maximus. A Nea, ou Nova Igreja construída pelo imperador Justiniano, aparece à direita do mosaico, e é representada de forma quase idêntica à igreja do Monte Sião.

Os Mapas Feitos Por Geógrafos Islâmicos.

Os mapas feitos por geógrafos islâmicos durante a idade de ouro da cultura árabe no século X tinham como objetivo ajudar os peregrinos muçulmanos e os mercadores. O melhor exemplar é o do geógrafo istakri. Seu atlas, feito em 952 a.C., contém 21 mapas.

O mapa da Palestina é orientado para o sul e, embora se baseie nos princípios de Ptolomeu, é basicamente conceitual. No século XII, Roger II, rei normando da Sicília, contratou Idrisi, o erudito mourisco, para que fizesse 70 mapas. Também orientado para o sul, o mapa da Terra Santa é em grande parte impressionista.

Os Mapas-Múndi ou Mapas em Dois Hemisférios da Idade Média.

A Idade Média na Europa implicou uma interrupção na ciência da cartografia.

Os mapas mais ou menos precisos do mundo clássico foram deixados de lado em prol de uma espécie de cosmografia religiosa: os mapas-múndi. Estes mapas nos mostram como a Terra Santa era vista pelos monges medievais que os traçaram. Descritos em sua forma como T-O, são desenhados como um círculo, com uma linha da esquerda para a direita no centro. A metade superior é a Ásia, ou Sem. A metade inferior é dividida ao meio: a Europa, ou Jafé, fica na parte esquerda, e a África, ou Cam, na direita. A linha entre as duas partes inferiores corresponde ao mar Mediterrâneo. Orientada para o leste, Jerusalém fica no centro ou “umbigo” do mundo. Segundo o livro de Ezequiel (V, 5), “Assim diz o Senhor Javé: esta é Jerusalém; eu a coloquei no meio das nações e a rodeei de países”.

Também aparecem desenhados lugares santos para os cristãos medievais: a montanha sagrada, o monte Sinai, o rio Jordão e o Gólgota. O paraíso se localiza na extremidade superior do mapa.

Há uns 600 exemplares conhecidos de mapa-múndi. O primeiro deve ter sido, provavelmente, o de São Isidoro de Sevilha, publicado em 800 como parte de sua “Enciclopédia Cristã”, e o famoso é o Hereford Map, agora guardado na catedral de Hereford e desenhado pelo cartografo Ricardo de Haldingham por volta de 1285.

Em geral esses mapas eram usados para ilustrar manuscritos religiosos ou, no caso de exemplares maiores, como fundo para o altar. Parecidos com os mapas-múndi são os mapas circulares de Jerusalém. É provável que fossem feitos a partir da mesma fonte, um mapa da época das Cruzadas. Mas a maioria dos mapas circulares de Jerusalém data do século XIV e deviam ser destinados a facilitar para os peregrinos a viagem à Terra Santa.

Além de indicarem os lugares bíblicos habituais, também oferecem aos peregrinos informações úteis, como a localização dos lugares de câmbio de moedas.

As Cartas de Navegação Chamadas Portulanos.

Os mapas chamados Portulanos foram desenhados em fins da Idade Média para a sua utilização por navegadores. Essencialmente cartas de navegação, estes mapas se parecem com os desenhos cientificamente hoje em dia. Os mais famosos são os de Pietro Vesconte, feitos na primeira metade do século XIV como parte da obra do veneziano Mariano Sanuto, um rico mercador interessado em promover outra Cruzada à Terra Santa. Os mapas eram desenhados em escala, orientados para o norte e, como eram destinados a ser usados pelos navegadores, aparecem neles todos os principais portos e rios.

Embora as características internas dos diversos países não tivessem muita importância para os navegadores, à única exceção é a Terra Santa, onde estão representados os lugares religiosos mais destacados. Neste tipo de mapas são dignos de mencionar os cartógrafos judeus Abraão Cresques e seu filho Jafuda, ativos em Maiorca. Crê-se que são os autores do famoso Atlas Catalã (1375).

Aqui se pode ver a influencia de Idrisi e dos geógrafos árabes.

Outras informações foram recolhidas dos relatos de viajantes recentes, como Marco Polo, ao Extremo Oriente. 

Primeiros Mapas e Geografias Impressos.

A invenção da imprensa, e especialmente a publicação da Bíblia em fins do século XV, gerou uma nova demanda de livros de geografia e de mapas relacionados com os territórios da Bíblia. O primeiro mapa impresso foi da Terra Santa, editado em Lubeck, Alemanha, em 1475. Ainda que mais descritivo, era baseado no mapa agora perdido do dominicano Burchard de Monte Sião. É também muito impressionante o mapa panorâmico da Palestina elaborado por Benhard Von Breitenbach e desenhado por Erhard Reuwich de Utrecht. Ambos peregrinaram à Terra Santa durante a primeira de 1483, e seu livro de viagens, Peregrinatio in Terram Sanctam, relata suas impressões sobre Jerusalém antes que grande parte da cidade fosse assolada pelos turcos em 1517. Não é surpreendente que o primeiro mapa elaborado por Gerard Mercator fosse o da Palestina em 1537. Mercator é lembrado como o inventor do sistema de projeção de mapas que ainda é utilizado hoje.

Abraham Ortelius é conhecido por ser o primeiro editor em grande escala dos altos modernos, em diversas edições e idiomas. O primeiro, Theatrum Orbis Terrarum, era uma coleção de 53 mapas, entre os quais dois da Terra Santa, um do cartografo Tilleman Stellaa e outro procedente do mapa de Peter Laichsteen e Christian pela quantidade artística, mais evidente no mapa ilustrado de Canaã, com 22 ilustrações circulares sobre a vida de Abraão. O cartografo britânico mais famoso dessa época, John Speed, também optou pela Terra Santa para desenhar o seu primeiro mapa em 1595.

É mais lembrado por seu atlas das ilhas Britânicas publicado em 1611, que incluía também outro mapa da Palestina. Além do mais, seus mapas sobre a Terra Santa foram publicados em diversas Bíblias inglesas. Outro cartografo, Thomas Fuller, publicou seu Pisgah Site of Palestina, um atlas da Terra Santa, em 1650.

O primeiro mapa da Terra Santa impresso em hebraico foi de dois judeus, Yaaqov Bem Abraham Zaddiq e Abraham Goosm. Publicado pela primeira vez em 1621 e de novo em 1633, era destinado aos judeus em peregrinação a Jerusalém, ao judeu viajante ou ainda ao ainda ao judeu viajante de salão, já que lhes permitia localizar todos os lugares importantes da Bíblia.

Já no fim do século, em 1695, Abraham bar Yaaqov, de Amsterdã, elaborou um mapa magnificamente ilustrado para acompanhar a sua Páscoa Haggadah.

Os mais famosos dicionários e enciclopédias bíblicas incluíam ilustrações e vários mapas. Em 1714, Adrian Reland, um orientalista holandês, publicou uma das primeiras geografias bíblicas, Palaestina ex Monumentis Veteribus, em dois volumes, uma grande obra para a época, que continuou a ser reeditada até meados do século XIX.

Augustine Antonie Calmet publicou a primeira Enciclopédia da Bíblia na França em 1711, e os cinco volumes fartamente ilustrados incluíam mapas da Terra Santa.

O Redescobrimento e Novos Mapas.

Um resultado da ofensiva de Napoleão contra o Egito e a Palestina, no final do século XVIII, foram os mapas de Jacotin, assim chamados em referencia ao chefe de cartógrafos Pierre Jacotin, publicados em 1818. Embora tenha sido preparada a toda a pressa com finalidades militares, ainda fornecem informações valiosas sobre a situação da Palestina durante a primeira metade do século XIX.

A obra do arquiteto inglês Frederick Catherwood abriu novas perspectivas com relação a Jerusalém. Contratado por Mohammed Ali para restaurar as mesquitas do Cairo e estudar os lugares mais importantes do Egito, Catherwood usou suas influencias para ter acesso à mesquita de el-Aqsa e à Cúpula da Rocha quando chegou a Jerusalém em 1833, e conseguiu visitar o monte do Templo vestido de funcionário egípcio com o pretexto de fazer reparos por ordem do paxá.

O mapa de Jerusalém feito por Catherwood serviu de ponto de partida para outros muitos mapas durante pelo menos as duas décadas seguintes.

O primeiro explorador cientifico da Terra Santa, Edward Robinson, também ofereceu mapas em um livro muito inovador publicado em 1841. Os mapas eram traçados por Heinrich Kiepert, geografo e cartografo alemão. Robinson percorria o país com Eli Smith, um missionário que falava árabe, e ambos tinham como objetivo encontrar a localização correta de todos os lugares mencionados na Bíblia.

Robinson, recém-nomeado professor de literatura bíblica no Union Theological Seminary de Nova York, contribuiu com grandes conhecimentos de geografia de historia das Escrituras, enquanto Eli Smith podia investigar a forma como muitos lugares haviam conservado seus nomes originais dentro de seus nomes em árabe. Em vez de viajarem por estradas principais, já conhecidas e explicadas por outros exploradores, investigaram todos os cantos desconhecidos do país. Deve-se a Robinson muitos novos achados, entre os quais a base do arco no muro ocidental do monte do Templo, que ainda continua a ser chamado o arco de Robinson.

O mar Morto, como o ponto mais baixo do globo, sempre foi objeto de fascínio.

Durante o inverno de 1847-1848, o tenente William F. Lynch, da marinha dos Estados Unidos, inspecionou o mar Morto em dois pequenos barcos metálicos que, sob a bandeira dos Estados Unidos e arrastados em carroças por camelos, forma de Acre ao mar da Galiléia. Ao fim de oito dias, a expedição chegou ao mar Morto e durante três dias investigou a região, incluindo Massada e as ruinas de Kerak, agora Jordânia. Em 1865, quando foi fundado o Palestine Exploration Fund, impôs-se como uma das suas tarefas primordiais a investigação cientifica da Terra Santa, e um dos primeiros projetos levados a efeito foi à investigação da península do Sinai.

Em 1865, Charles Wilson publicou a Ordinance Survey of Jerusalem, à qual se seguiu a prospecção de todo o país utilizando os sistemas mais modernos da época.

Jerusalém em Mapas e Gravuras Antigos.

Jerusalém pode aparecer em mapas antigos sozinha ou fazendo parte de um mapa maior da Terra Santa. Amiúde era desenhada de modo desproporcional, em escala maior que as outras cidades. A representação mais antiga conhecida é o Mosaico de Madaba, feito no século VI.

Os mapas circulares, produtos das Cruzadas, se parecem com o mapa-múndi em sua forma, uteis como uma espécie de guia esquemático da Cidade Santa.

A cidade é dividida em quatro partes, e em cada uma delas estão localizados os principais lugares cristãos. Fora do circulo, assim como fora da cidade, estão os lugares de interesse para o peregrino, como a cidade de Belém. Estes mapas circulares mudavam gradualmente à medida que os peregrinos regressavam com amis detalhes para os cartógrafos.

A descrição de Jerusalém feita por Christian Von Adrichom no século XVI se transformou na base para muitos outros mapas da cidade nos dois séculos seguintes.

O mapa fazia parte de uma historia mais extensa sobre os países da Bíblia, e Jerusalém aparece como se crê que era nos tempos de Jesus. Adrichom indicava quatorze lugares ao longo da Via Dolorosa marcando o ultimo dia de Cristo a caminho da crucificação. Os principais prédios da cidade são desenhados com características europeias, e as casas rodeiam campos verdes.

Embora o mapa não seja nada realista, a localização dos edifícios corresponde aos informes de viagem disponíveis naquele tempo. Outro traço comum a muitos mapas da cidade era situar a muralha norte, ou “segunda”, tal como era nos tempos de Jesus. Todos os viajantes a Jerusalém observaram que a igreja do Santo Sepulcro ficava dentro da cidade.

No entanto, segundo os relatos dos Evangelhos sobre a crucificação de Jesus, o Gólgota ficava fora das muralhas da cidade. Além do mais, levando em conta os ritos funerários judaicos, a tumba de José de Arimatéia também tinha de ficar fora da cidade. Assim, muitos cartógrafos deram atenção às fontes literárias, como, por exemplo, os escritos do historiador judeu-romano Flávio Josefo, com a intenção de desenhar as muralhas da cidade onde deviam estar nos tempos do Novo Testamento. Nesses gráficos e mapas, o lugar da crucificação fica fora das muralhas da cidade, e muitos desses mapas foram utilizados para ilustrar Bíblias e enciclopédias bíblicas. Só no começo do século XIX foram feitos os primeiros mapas preciosos da cidade de Jerusalém. As autoridades muçulmanas e a população em geral não permitiam que os pesquisadores e estrangeiros fizessem mapas, razão pela qual este tinha de ser feitos às escondidas.

Em 1841, foi permitido que uma delegação do Real Corpo de Engenheiros explorasse a cidade sem restrições. No inicio do século XIX apareceram pela primeira vez representações realistas de Jerusalém, já que desenhos anteriores da Cidade Santa refletiam o estilo e a época do artista. “A Entrega das Chaves” de Perugino, 1480-1482, da Capela Sistina de Roma, por exemplo, mostra Jerusalém com edifícios de estilo renascentista.

Nesta pintura, como na maioria de Jerusalém, a Cúpula da Rocha ocupa um lugar destacado. Os artista mais famosos do século XIX também realçam a silhueta da cidade.

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