A Cidadela e as Muralhas e Portas de Jerusalém

Jerusalém se localiza num lugar alto das montanhas da Judéia. As razões de sua importância para as grandes religiões monoteístas – o judaísmo, o cristianismo e o islã – não podem ser atribuídos à sua localização num importante rota comercial, à sua posição estratégica, nem sequer ao fato de ela ser o centro de uma civilização prospera. A única explicação reside no aspecto sagrado da cidade, de um principio sagrado que precede até o relato bíblico da criação da Cidade de Davi e do Primeiro Templo três mil anos atrás. A antiga Jerusalém esta sepultada sob a cidade atual.

A primeira prova de assentamento em Jerusalém tem de ser estabelecida a partir de achados arqueológicos e de fontes documentais. Desde 1860, mais de 100 expedições arqueológicas tentaram descobrir seus segredos. Localizada no centro dos montes da Judéia, Jerusalém sempre ocupou uma posição defensiva. A cidade foi construída sobre duas colinas rochosas; limita-se a leste por uma abrupta vertente até o vale de Quidron e a sudeste pelo vale de Himnon, e é dividido por um vale central, o Tiropeon.  As defesas da cidade são mais débeis ao norte, onde as colinas se fundem com as montanhas circundantes e não existe fronteira natural. A cidade ainda tem a organização interna dos quatro bairros criados por Adriano no século II d.C., quando a cidade era dividida de norte para sul pela artéria principal Cardo Maximus, e de leste para oeste por outra via urbana a Decumanus. As muralhas da cidade velha de Jerusalém, tal como são hoje em dia, datam dos tempos de Solimão, o magnifico, o sultão otomano.

Ele deu inicio às novas fortificações em 1537, e as terminou três anos depois, utilizando blocos e mesmo trechos de muralhas anteriores.

As muralhas de Jerusalém têm sete portas. A mais impressionante, a porta de Damasco, remota provavelmente à construção da terceira muralha da cidade, a do norte, por Herodes Agripa em 40-41 d.C. Foi acrescentada no século II por Adriano, quando este quis criar uma entrada monumental para a nova cidade romana. Aelia Capitolina. Escavações revelaram trechos desta entrada primitiva da cidade, e elas podem ser vistas sob a atual porta de Damasco. A porta nova foi construída no final do século XIX para proporcionar acesso ao bairro cristão. A porta de Jafa, assim chamada porque dali saía o caminho que conduzia a Jafa, tinha forma de L, mas foi aberta em 1898 para a visita de Estado do Kaiser Guilherme II. A porta de Sião tem saída para o monte Sião, agora fora das muralhas da cidade. Seu nome árabe é Bab Nabi Daud, ou porta do profeta Davi.

Segundo a muralha para o sul fica a porta do Muladar, ou do Monturo, assim chamada porque era o lugar onde se recolhia o lixo da cidade. Seu nome era também Bab el-Magharbeh em árabe, já que justo dentro da porta ficava o bairro dos magrebinos. Ao norte do mundo do Templo fica a porta de Santo Estevão.

Crê-se que ali santo Estevão morreu apedrejado. A porta de Herodes se chama assim porque nos tempos medievais se acreditava que ficava perto do palácio onde Herodes Antipas condenara Jesus.

A história das muralhas de Jerusalém tem de incluir a cidadela. A cidade de Jerusalém se expandiu para o oeste até seu ponto limite nos tempos de João Hircano (134-104 a.C.) Nesta muralha, Herodes construiu suas três magnificas torres – Hippicus, Phasael e Mariamne – e um suntuoso palácio.

Nos tempos bizantinos, os peregrinos à cidade Santa identificaram essas fortificações com o palácio de Davi.

A torre de Davi se transformou em símbolo de Jerusalém e do retorno a Sião, e atualmente abriga o Museu de História de Jerusalém.

A Cidade de Davi

Como cidade fortificada, Jerusalém surgiu na área que agora é o povoado de Siloé, na colina sul do monte do Templo.

A cidade foi criada ali porque dependia da água da fonte Guijon. A primeira prova de assentamento remonta ao período calcolítico, e já no século XIV a.C. se menciona a cidade nas Cartas de el-Amarna. Em seis cartas, seu dirigente, Arad-hi-pa, jura lealdade à “terra de Jerusalém”. No lado da colina construiu-se uma esplanada como base para o que deve ter disso uma fortaleza Cananéia na Idade do Bronze. Segundo relatos bíblicos, os jebuseus se assentaram na cidade durante cerca de duzentos anos, até que Davi a conquistou e transformou em sede de seu novo reino (2 Samuel V).

A esplanada de pedra revestida de pedras se transformou naquilo que no Antigo testamento se chama Milo. Atualmente, é um dos principais objetivos das escavações arqueológicas. Davi construiu as muralhas da cidade. “E fortificou a cidade ao redor” (1 Crônicas XI, 8). Jiram, rei de Tiro, enviou a Davi mensageiros com madeira de cedro, carpinteiros e pedreiros que construíam a casa de Davi (2 Samuel V, 11). Existem provas arqueológicas que apoiam este relato bíblico, e no canto nordeste da cidade de Davi estão os restos de uma área elevada construída a partir de terraços enchidos de pedras. A Arca da Aliança foi elevada para Jerusalém (2 Samuel Vi), fazendo assim de Jerusalém a capital de Israel. Davi comprou ali um altar ao Senhor, e ofereceu sobre ele holocausto e sacrifícios pacíficos” (2 Samuel XXIX, 25).

A construção do templo foi iniciada depois da morte de Davi e durou sete anos. A cidade se tornou prospera, não só por estar localizada na encruzilhada de diversas rotas comerciais, mas também pela cobrança de impostos às doze regiões de Israel. Nos tempos da Monarquia dividida, após a morte de Salomão (cerca de 930 a.C.), Jerusalém continuou a ser a capital da Judéia.

Encontram-se varias casas que remontam ao século VII a.C., “a casa de Ahiel” e “a casa das Bulas”.

A destruição babilônica de Jerusalém em 586 a.C. é demonstrada graficamente por uma grossa camada de escombros queimados. Uma parte do sistema de condução de aguas da cidade ainda pode ser vista no chamado Poço de Warren. Encontrado pelo arqueólogo Charles Warren em 1867, o poço desce através de fendas naturais na rocha e por meio de tuneis abertos pelo homem até onde se encontra com a fonte de Guijon. Dessa forma, a água podia ser levada à cidade em caso de cerco.

Achou-se um túnel, datado de entre os séculos X e IX a.C, que levava água da fonte para cisternas construídas no vale sul da cidade. Nas paredes do túnel podiam ser abertas fendas para fornecer água para a irrigação. Ezequias construiu outro túnel em 701 a.C., e hoje é possível fazer todo o seu percurso a pé, da fonte de Guijon , dois metros abaixo do que era a velha cidade de Davi, à piscina de Siloé.

Foi ali que Jesus fez o milagre de curar um cego de nascença (João IX, 1-12).

Já não restam vestígios da piscina original, e o sitio é agora uma mesquita construída sobre as ruinas de uma igreja bizantina.

A Cidade de Davi

A primeira cidade de Jerusalém foi construída numa faixa de terreno estreita e de paredes escarpadas, ao sul do qual esta agora o monte do Templo. As muralhas da cidade foram fortificadas primeiramente pelos jebuseus e depois ampliadas por Salomão. A chave da defesa da cidade residia no sistema de fornecimento de água.

A fonte de água ficava em Guijon, nos arredores da cidade. O poço de Warren dava acesso a um túnel subterrâneo, das muralhas da cidade ao manancial. Depois foi construído o túnel de Siloé para o fornecimento de água para as cisternas do sul da cidade, e durante o reinado de Ezequias foi cavado outro túnel até mais cisterna dentro das muralhas.

O Monte do Templo

Jerusalém se transformou numa Cidade Santa antes até dos tempos do rei Davi. Relacionou-se esta cidade a muitas imagens sagradas. A palavra Sião tornou-se sinônimo de Jerusalém.

As três regiões monoteístas consideram Jerusalém o centro do mundo.

No judaísmo, a imagem de Jerusalém esteve muito amiúde unida ao Templo.

Recordando a fachada do Templo após a sua destruição em 70 d.C., Bar Kokba usou sua efígie nas moedas que mandou cunhar durante a Segunda Rebelião judaica, 60 anos depois. A representação islâmica mostra mais frequentemente a Cúpula da Rocha. Este emblema foi adaptado também pelos cruzados e se transformou no símbolo mais universal de Jerusalém. Devido à sua localização destacada na silhueta da cidade, quase todas as ilustrações panorâmicas oferecem a majestosa cúpula dourada no centro.

Haram al-Sharif em árabe, Her ha-Bauit em hebraico, o monte do Templo é o ponto principal da cidade velha Segundo a Bíblia, Salomão comprou o lugar para construir um templo que abrisse a Arca da Aliança.

Embora não restem vestígios do primeiro templo que apoiem as provas documentais, era provavelmente similar a outros templos encontrados em sítios israelitas como Jasor.

Sesonquis, o faraó, “apoderou-se dos tesouros da Casa de Javé” (1 Reis XIV, 25-26), e depois o templo foi totalmente destruído pelos babilônicos em 586 a.C.

Nesta época, a Arca da Aliança desapareceu.

Ao voltar do exilio, Zorobabel mandou reconstruir o templo, supõe-se que seguindo a estrutura do anterior.

Não obstante, só com o reinado de Herodes, o Grande, o templo alcançou proporções colossais. Herodes ampliou a esplanada, que é agora praticamente a mesma dos tempos de Herodes. O segundo Templo era o centro de peregrinação de centenas de milhares de judeus a cada ano, muitos dos quais vindos de distantes lugares de diáspora.

Este foi o templo em que Jesus discutiu com os sacerdotes e expulsou os mercadores. Em 70 d.C. foi destruído pelos romanos, e Josefo descreveu com todos os detalhes o assalto ao Templo.

A esplanada ficou em ruinas durante mais de um século, até o reinado de Adriano, quando deve ter sido instalado um templo a júpiter entre as ruinas.

Com a conquista árabe de 638, o monte do Templo recuperou sua importância.

A cúpula da Rocha foi terminada em 691-692, e a Cúpula da Cadeia vários anos depois.

A mesquita de el-Aqsa foi construída em diversas fases, primeiramente como um grande edifício de madeira que podia abrigar 3.000 fieis, e depois como um imenso edifício de pedra composto de 15 naves de oração. Ao sul foram edificados com o monte do Templo através das portas construídas durante o reinado de Herodes.

Os palácios foram arrasados no terremoto de 1033 e nunca reconstruídos, embora tenham sido encontrados restos deles nas escavações ao sul e sudeste do monte do Templo depois de 1967. Com a conquista de Jerusalém pelos cruzados em 1099, a Cúpula da Rocha se transformou em igreja Cristão, mas não foi destruída.

A mesquita de el-Aqsa foi primeiramente o palácio do rei cruzado de Jerusalém e depois o quartel-general da ordem dos Templários. Ainda existem detalhes da arquitetura do período das Cruzadas; a Cúpula da Ascensão, onde por tradição se crê que Maomé rezou antes de subir aos céus, foi restaurada na época das Cruzadas.

No período mameluco, os lados norte e oeste do monte do templo foram cercados por edifícios ainda preservados.

É especialmente notável o al-Madrassa al-Asheafiyya, reconstruído em 1479-1482 pelo sultão Qaitbey (1468-1496) e decorado com uma impressionante fachada e um portal em arcada muito elaborado. O sultão deu seu nome à fonte de Qaitbey. No período otomano, foram feitas remodelações nos edifícios do monte do Templo. Até 1856, com o tratado russo-turco, não era permitida aos muçulmanos a entrada no monte do Templo, embora alguns ocidentais disfarçados de orientais tivessem conseguido fazer visitas clandestinas.

O Monte Sião

O monte Sião localiza-se, agora, fora das muralhas da cidade, ao sul da porta de Sião. O que exatamente Sião significava mudou junto com a historia de Jerusalém.

No antigo testamento é mencionado como “fortaleza de Sião”, ou fortaleza de salvação, e depois, quando é conquistado pelos israelitas, se transforma na cidade de Davi. Aqui teve origem o conceito de Sião como centro espiritual do povo judeu e como a montanha santa aonde voltará o Messias. Não obstante, no século IV Sião se transformou no contrario, e adquiriu importância na tradição pelos últimos dias de Jesus.

Esta área era cercada pelas muralhas da cidade no século II a.C, e no tempo de Jesus o monte Sião ficava dentro das muralhas. Era considerado o lugar da Última Ceia, e nele foi construída, no século I d.C, uma igreja. Depois, o franciscano a reconstruíram em 1342 e ela continuou como igreja até eles serem expulsos em 1447. No século XI, surgiu a crença de que o monte Sião guardava o túmulo de Davi, e isso foi adotado pelos muçulmanos quando se construiu uma mesquita ao “profeta Davi” em 1524. Na atualidade, a igreja armênia do Salvador comemora a história de como Jesus foi preso na casa do Sumo sacerdote Caifás e de como seu discípulo Pedro o negou três vezes antes do cantar do galo. O túmulo de Davi e o Cenáculo da última Ceia compartilham o mesmo edifício.

O tumulo de Davi se transformou em importante lugar de peregrinação judaica depois de 1948, quando era o único lugar do leste de Jerusalém sob controle de Israel. No monte Sião fica a igreja de São Pedro, construída pelos padres agostinianos da Assunção para indicar a casa de Caifás.

O Monte das Oliveiras

Da cidade Velha de Jerusalém o monte das Oliveiras se estende através do vale de Quidron. No Antigo Testamento (Ezequiel IX, 23) Lemos: “A gloria de Javé, elevando-se então no interior da cidade, foi parar sobre a montanha que está do lado oriental da cidade”. Destas palavras faz eco Zacarias XIV, 4, ao dizer que Javé apoiará os pés no monte das Oliveiras, que se partirá ao meio.

Não só é um grande cemitério judeu; também muitos acontecimentos da ultima semana da vida de Jesus se deram ali. No alto do monte das Oliveira está a capela que comemora o lugar da Ascensão de Jesus, 40 dias depois de sua Ressurreição. Perto fica a igreja do Pai-nosso, indicando o lugar onde Jesus pregava a seus discípulos. Betfagé, também no monte das oliveiras, era a aldeia onde Jesus fez os preparativos antes de sua entrada em Jerusalém.

O lugar onde Jesus chorou por Jerusalém é comemorado pela igreja franciscana de Dominus Flevit.

A mais atraente de todas as igrejas do monte das Oliveiras é a igreja ortodoxa russa de Santa Maria Madalena em Getsêmani, com suas sete cúpulas douradas. O Horto de Getsêmani franciscano, com sua moderna igreja de Todas as Nações, fica onde Jesus foi traído por Judas. A igreja do Tumulo da Virgem é, segundo a tradição, o lugar da sepultura da Virgem Maria e de seus pais, Ana e Joaquim, e também de José.

Fica perto a Gruta de Getsêmani, indicando o ponto onde Jesus foi preso após a traição de Judas.

Na colina norte, o monte Scopus é a sede da Universidade hebraica, fundada em 1925 com edifícios mais antigos dessa mesma época e um novo campus construído em 1981. Durante o período de 1948-1967, quando o monte estava nas mãos do exercito jordaniano, a universidade funcionava nos arredores de Givat Ram, a oeste de Jerusalém.

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