Geografia física

Aos olhos do turista moderno, a zona compreendida entre o Carmelo e Rosh Hanicra apresenta-se como uma zona marcada pela implantação de fábricas, com uma estação balneária e culturas intensivas de frutos. Imediatamente a norte do Carmelo encontra-se o complexo industrial de Haifa, com a sua refinaria de petróleo. A estrada principal que liga Haifa a Aco está assinalada, na sua primeira metade, por pequenas empresas que se estendem até o mar. Em seguida, está rodeada de uma série de tanques dedicados à piscicultura intensiva. A meio caminho atravessa-se Naaria. Esta localidade, que em 1934 era apenas uma aldeia agrícola, tornou-se uma importante estação balneária.

No século XIX, esta região apresentava-se sob um aspecto um tanto diferente. A noroeste de Aco havia apenas pomares onde se cultivam laranjas, limões, romãs e figos. A Sul estendia-se uma pantanosa formada pela difluencia das águas do Naal Naaman e do Naal Hilazon, que não conseguiam escoar-se para o mar: O areal que liga Haifa a Rosh Hanicra constituía um terreno ideal para os passeios a cavalo. Contudo, a foz do Naal Quison obrigava o cavaleiro a fazer a travessia de barco, ao mesmo tempo em que a Montada atravessava a nado para a outra margem. A sul da foz formara-se uma laguna, que foi drenada a fim de permitir a construção da zona industrial de Haifa. Quanto aos pântanos do Naaman, a norte do Quison, foram transformados em tanques de piscicultura.

De sul para Norte, a região compreende a baía de Haifa, cuja curva vai dar a Aco, depois a costa da Galiléia, que se estende até Rosh Hanicra, onde a planície costeira, com cerca de 5 quilômetros de largura, é bruscamente cortada por um esporão rochoso orientado de oeste para leste. Esta planície costeira atinge uma largura de 15 quilômetros por alturas de Aco. Constituída por uma terra rica e fértil, é abundantemente irrigada por seis cursos de água e beneficia de uma pluviosidade média anual de mais de 600 milímetros. A sul, entre Aco e Haita, a planície estreita-se de novo (de 6 quilômetros a 9 quilômetros de largura por um comprimento de 20 quilômetros): é o vale de Zabulão.

Não sabemos até que ponto, nos tempos bíblicos, o litoral da baía de Haita tinha o mesmo traçado que nos nossos dias. É verdade que importantes vestígios de habitações do 2.° milênio foram descobertos ao longo da costa, a perto de 4 quilômetros do interior das terras. Estes locais encontravam-se, na origem, no litoral ou na margem de uma laguna navegável. Ao longo dos séculos as aluviões e a areia acumularam-se ao longo da margem sob a ação combinada do Naal Quison e das correntes marítimas.

No 2.° milênio, os principais locais de habitação encontravam-se nas proximidades do mar ou, um pouco mais a leste, perto das fontes e das ribeiras, a uma distância da costa que não ultrapassa os 15 quilômetros. Os homens que aí viviam eram pescadores ou agricultores.

Pode supor-se que as colinas da Baixa Galiléia, a leste da zona habitada, estavam cobertas de azinheiras da palestina (Quercus calliprinos) e da vegetação associada.

A narrativa bíblica

Na bíblia, a primeira referencia significativa a esta região encontra-se em Josué 9, 24-31, quando a tribo de Aser vê ser-lhe atribuído um território com 22 cidades, compreendido entre o Carmelo e Tiro, atribuição mais teórica do que real, porquanto o livro dos juízes (1, 31) precisa: “Aser não expulsou as geristes de Aco, nem as de Sídon, nem as de Aalab, de Aczib, de Helba, de Afec e de Reob.” Entretanto, parece que no fim do reinado de Davi todas estas cidades eram israelitas. É pelo menos, o que ressalta do recenseamento efetuado por Joab (2 Samuel 24, 4-8). Por outro lado, quando Salomão se encontrou com dificuldades de dinheiro, para financiar a construção do templo, cedeu a Hirão vinte cidades do Norte da Galiléia, em cujo número se encontrava, provavelmente, as cidades costeiras situadas entre o Carmelo e Aalab.

Haifa é atualmente o porto marítimo mais importante de Israel. Na época bíblica, o local devia ser inabordável pelo leste, em virtude dos terrenos pantanosos do delta do Quison. Em contrapartida, Aco, com um acesso mais fácil, era o grande porto do Norte. Mencionado no livro dos Atos (21, 7), sob o seu nome grego de Ptolemaida, encontrava-se, encontrava-se, na época, a 2 quilômetros do litoral atual.

A norte de Rosh Hanicra, a planície costeira cede o lugar a uma sucessão de colinas que se interrompem a 8 quilômetros a sul de Tiro. São chamadas “Escalas de Tiro”. Na época do Antigo Testamento, Tiro, que era uma ilha situada a perto de 700 metros da costa, era a cidade mais importante e o grande centro comercial da Fenicia meridional. Foi a Hirão (969-936 a.C.), seu rei, que Salomão teve de dirigir-se para obter os matérias necessários à construção do Templo de Jerusalém (1 Reis 9, 11). Quando o profeta Ezequiel invectiva o rei de tiro (Ezequiel 28), traça, na mesma altura, um quadro notável dos faustos e das belezas da cidade. Tiro viria a desempenhar um papel nefasto na história do reino do Norte, por culpa de Jezabel, a esposa de Acab (c. 873-852 a.C), que se esforçou por substituir o culto do deus de Israel pelo do seu deus originário de Tiro. Sídon, outra cidade fenícia, que a narrativa bíblica associa muitas vezes a Tiro, está situada a 35 quilômetros a norte desta. A meio caminho entre ambas, na costa, encontra-se Sarepta, a cidade para onde Elias foi convidado a dirigir-se na época da seca, quando estava em conflito aberto com Acab e Jezabel (1 Reis 17,8). A ordem era explicita: Elias devia ir a “Sarepta de Sídon”. A situação não deixa de ser surpreendente. O profeta foi procurar alimento junto de uma pagã e de seu filho, quando numerosos israelitas morriam de fome. O Novo Testamento relata um caso análogo: segundo Mateus 15, 21-28 e Marcos 7, 2-1-30, Jesus retirou-se também ele para o “país de Tiro e de Sídon”, onde fez um milagre beneficiando um mulher não judia cuja filha estava possessa por um demônio. Foi esta “pagã, siro-fenicia de origem”, que replicou a Jesus a propósito do pão dos filhos que não deve lançar-se aos cães: “Mas até os cachorros comem as migalhas que caem da mesa de seus donos.”

Tiro e Sídon

Porto marítimo de primeira importância na época bíblica: Tiro manter-se-ia uma ilha até que, para facilitar a sua conquista, Alexandre Magno a ligou ao continente por meio de um dique. Centro comercial florescente forneceu a Salomão uma parte dos materiais necessários à construção do templo. A sua proverbial riqueza permitiu-lhe tornar-se um grande centro de arte de cultura. Juntamente com Sídon, esteve na origem de um império comercial que estendia os seus balcões a todo o mediterrâneo. Sídon, a norte da fenícia, ocupava um local bem fornecido de água; as suas instalações portuárias eram protegidos por um rosário de ilhotas. Por vezes foi dominada por Tiro e Freqüentemente ocupada pelos grandes impérios conquistados da região. Contrariamente a Tiro, que resistiu Sídon  reservou a Alexandre Magno um acolhimento pacifico.

Planície costeira a sul do Monte Carmelo

Geografia física

A sul do esporão rochoso do Carmelo, a planície costeira divide-se em três partes principais. A primeira, dita “costa do Carmelo”, tem a largura de 3 quilômetros e estende-se por um comprimento de 30 quilômetros até o Naal Tanimim. É rodeada a leste pelos contrafortes do monte Carmelo.

A segunda parte é constituída pela planície de Saron (um nome hebraico mencionado, notadamente, em Isaias 35, 2), que se estende do Naal Tanimim à ribeira de Jarcon, que se lança no mar precisamente a norte de Tel Aviv. (Alguns autores preferem, no entanto, fixar-lhe como limite o Naal Aialon e o Naal Nason.) Com 50 quilômetros de comprimento, alarga-se bruscamente a sul do Tanimim para atingir uma largura média de 12 quilômetros. A terceira parte, a planície da Judéia, inclui duas seções distintas: uma seção setentrional, que se desdobra sobre 85 quilômetros, entre o Naal Tanimim e o Naal Láquis, cujo foz se encontra a norte de Asdod, e uma seção meridional cuja extremidade sul se confunde pouco a pouco com a região semidesértica do Neguev. O Naal Sicma, que se lança no mar, a meio caminho entre Áscalon e Gaza, é geralmente considerado como o limite entre a planície costeira e a costa do Neguev.

Os viajantes que visitaram esta região no século XIX praticamente não a reconheceriam nos nossos dias. Em 1857, Thomson escrevia  a propósito percurso de Haifa a Cesaréia: “É mais útil e muito mais agradável passar nove horas a segui-lo com o pensamento do que percorrê-lo a cavalo.” Em seguida, até Atlit, viu apenas aldeias e ruínas sem interesse. Contudo Smith viria a encontrar lá bosques de carvalhos e restos de florestas.

Thomson descreve Taritura (Dor) como uma “aldeota triste e em ruínas… numa praia descarnada e separada das colinas orientais por uma zona pantanosa”. Entre Cesaréia e Gaza, chamou-lhe, sobretudo a atenção a barreira de dunas com 5 quilômetros de largura e, a leste do local atual de Netânia, as florestas de pinheiros que cresciam na areia e que considerou como os mais belos espécimes que tinha encontrado na Palestina. A sul do Jarcon, designadamente na planície de Lod (ver á frente), G.A. Smith viria a assinalar “culturas muito mais numerosas, campos de trigo e de melão, pomares, laranjas e pequenos bosques de palmeiras.

Nos nossos dias, esta região, que continua a ser predominantemente agrícola, é também a do aeroporto internacional de Lod, dos grandes nós rodoviários e ferroviários e da mais importante concentração urbana do país, em particular à volta de Tel Aviv.

A fim de se imaginar melhor o que poderia ser a região na época bíblica, não é inútil considerar certos aspectos da sua geologia, da sua ecologia e também a implantação dos antigos locais de habitação.

Nos tempos geológicos, o litoral avançou e recuou várias vezes, o que teve como efeito dar origem a três linhas paralelas de argila arenosa Kurkar ao longo do litoral. A mais ocidental constitui o litoral atual, exceto a norte de Adit, onde sofreu a erosão marítima. A sul do jarcon é protegida por uma barreira continua de dunas. Em contrapartida, entre o jarcon e o Naal Hadera, reveste o aspecto de uma longa sucessão de falésias, cuja altura pode atingir de 50 metros a 60 metros nos seus pontos mais elevados, notadamente nas proximidades de Netânia. Interrompida na foz das ribeiras e das torrentes (Alexander, Poleg, Jarcon), a falésia está largamente afetada pela erosão entre o Naal Hadera e Atlit.

A segunda linha de Kurkar estende-se a 1 quilometro da primeira. Com 300 metros de largura, o seu nível varia entre 20 metros e 30 metros a norte da planície de Saron e entre 40 metros e 50 metros a sul. A terceira estende-se a3 quilômetros da anterior; está recoberta por uma camada de areia vermelha, cuja espessura média é de 10 metros a 20 metros, podendo, no entanto, atingir 50 metros a 80 metros a norte e a sul de Saron. Com uma largura que pode atingir 8 quilômetros, esta terceira faixa é cortada por ribeiras e torrentes que se lançam diretamente para o mar e também pela planície de Lod. A sul do Naal Sorec está recoberta por uma terra fértil, característica da planície que se estende da planície de Lod a zona semidesértica.

A presença destas Linhas de arenito exerceu certa influencia sobre a vegetação e as condições de vida. Entre o litoral e a segunda linha havia uma faixa de areia onde podiam instalar-se aldeias perto dos pontos de água. Entre a segunda e a terceira encontrava-se uma zona de pântanos causados pela difluencia das ribeiras e das torrentes. A terceira linha estava coberta de carvalhos e daqueles pinheiros e daqueles pinheiros tão admirados por Thomson. Alguns carvalhos de folhas caducas (carvalhos do Tabor) subsistiram até a primeira Guerra Mundial, durante a qual os Turcos se Aproveitaram deles fazerem andar as suas locomotivas. A leste da última linha e das suas florestas estendia-se uma planície fértil até o sopé das montanhas.

O estudo dos locais de implantação humana no 2.° milênio mostra que a ultima linha nunca foi praticamente ocupada. Isso apenas vem reforçar a hipótese segundo a qual ela estaria coberta de florestas que formariam barreira entre as aldeias do litoral e as que se encontravam no sopé dos contrafortes montanhosos. Estas ultimas, estabelecidas perto das fontes, abrigavam agricultores atraídos pela planície fértil. Quanto às aldeias do litoral, parece que terão praticado igualmente uma economia agrícola, ao mesmo tempo em que se dedicavam à pesca e ao comercio. O mesmo se passava com as aldeias da planície de Lod, constituída por uma pequena bacia triangular, de solo particularmente rico.

A este respeito, convém precisar que as maiorias dos locais de habitação indicadas no mapa só existiram como tais durante uma parte do 2.° milênio. Figuram no atlas com o objetivo de por em evidencia as zonas onde a implantação do homem era possível, tendo em conta a natureza geológica e ecológica do terreno. Essa implantação fazia-se igualmente em função das grandes linhas de comunicação da época. (A estrada principal do Egito para o Norte seguia o traçado da costa, passava por Gaza, Asdod e Jopé Qafa), para inflectir para o nordeste, no vale do Jarcon, antes de atravessar Afec, para se espiar ao longo dos contrafortes montanhosos. Contudo, havia outras estradas que serviam todo o litoral e que, também elas, desempenharam o seu papel na implantação e na distribuição das provações.

A narrativa Bíblica

Segundo o Antigo Testamento, esta região da planície costeira foi partilhada entre as tribos de Judá, Efraim e Manassés. É impossível determinar com precisão o limite dos diferentes territórios. Todavia, sabemos que Judá se instalou a sul do Naal Sorec (Josué 15, 11-12) e Efraim, entre o Sorec e o Jarcon ( Josué 16, 8, na condição de o Caná ser, de fato, o uádi Caná, afluente do jarcon), Quanto a Manassés, tomou posse do resto da planície costeira até o Carmelo. É igualmente provável, segundo Josué 19, 46, que Dan tenha recebido o porto de Jopé com uma parte da zona interior.

Verificar-se que estas tribos encontraram algumas dificuldades em controlar o conjunto dos seus territórios respectivos. Apesar da sua vitória sobre Gaza, Judá não conseguiu “desapossar os habitantes da planície, que tinham carros de ferro” (juízes 1, 18-19). Efraim “não expulsou os canáceos de Guezer” (Juízes 1, 29). Quanto a Manassés, fracassou diante de Dor (Juízes 1, 27).

É verossímil que Efraim e Manassés se tenham implantado, sobretudo na parte da planície compreendida entre a zona arborizada da terceira linha de Kurkar e a montanha, conservando o Egito o controle do litoral e da estrada do Norte, até a chegada dos assírios, no século VIII a.C. A parte setentrional da planície, atribuída a Judá, foi ocupada pelos filisteus a partir do século XII a.C. Apesar das vitórias de Davi e de Salomão, não parece que Judá tenha alguma vez conseguido subjugar completamente esta região, exceto, talvez, sob o reinado de Ozias (785-733), que instalou cidades judaicas em território filisteu depois de ter desmantelado as muralhas de Gat, Jabnia e Adod (2 Crônicas 26, 6) ou quando o rei Ezequias (727-698) bateu “os filisteus até Gaza, devastando o seu território, desde as simples torres de vigia até as cidades fortificadas” (2 Reis 18, 8).

No Antigo Testamento, as principais referências a esta região encontram-se no relato das proezas de Sansão, o herói da tribo de Davi. E assim que tomamos conhecimento de que Sansão desceu até Ascalon, onde matou 30 homens, cujos despojos deram aos filisteus, que, na seqüência da traição de sua esposa, tinham encontrado a chave do enigma sobre o mel e o leão (Juízes 14, 5-20). Há também aquela historia das portas de Gaza que Sansão transportou até Hebron (Juízes 16, 1-3). Enfim, foi em Gaza que Sansão, cego e prisioneiro, derrubou as colunas do templo e morreu esmagado sob os escombros, juntamente com 300 filisteus (Juízes 16, 23-30).

Durante o período de lutas territoriais anterior ao reinado de Saul, os filisteus levaram a melhor sobre os israelitas em Afec, onde tinham conseguido juntar as suas forças. Esta vitória abriu-lhes o acesso à montanha pelo vale do uádi Caná (1 Samuel 4, 1-11).A arca da Aliança, de que se tinham apoderado durante a batalha, foi então transportada para Asdod, depois para Gat e para Acaron, antes de ser restituída aos israelitas (1 Samuel 5, 1-12). Gat, que era a cidade natal de Golias, serviu igualmente de refúgio a Davi, quando ele temia as intenções mortíferas de Saul (1 Samuel 27, 1-12). Quanto a Jopé, é o porto onde Jonas embarcou para um destino diametralmente oposto ao que Deus lhe tinha assinalado (Jonas 1, 3). Foi igualmente em Jopé que foram desembarcados os materiais destinados à construção do primeiro e do segundo Templo de Jerusalém (2 Crônicas 2, 16; Esdras 3, 7).

O Novo Testamento atesta as transformações verificadas na região, na seqüência da ocupação pelos romanos, em 63 a.C. O fato mais notável a este respeito foi a fundação de Cesaréia. É verdade que tinha sido criado um porto, não longe dali, em fins do período persa (c. 340 a.C.), mas a construção daquele de que fala o Novo Testamento data de Herodes, o Grande. Começando em 22 a.C., foi inaugurado uma  dúzia de anos mais tarde. No ano 6 d.C., Cesaréia iria tornar-se a capital da província romana da Judéia e residência dos seus governadores. A cidade dispunha de um notável sistema de adução de água. Quanto ao porto em si, era protegido, a norte e a sul, por dois molhes em arco de circulo, com o comprimento de 600 metros e 250 metros, respectivamente. A água potável era transportada até a cidade por dois aquedutos, o maior  dos quais, com o comprimento de 9 quilômetros, foi edificado sob o governo de Herodes.

Quando Pedro chegou a Cesaréia, aonde viria a converter Cornélio, o centurião romano (Atos 10, 1-48), penetrava, de fato, na mais prestigiosa cidade pagã da província. A conversão de Cornélio, precedida da visão da toalha cheia de animais impuros (Atos 10, 9-16), foi para Pedro a ocasião de colocar o problema do acesso dos pagãos aos ensinamentos de Jesus. A comunidade cristã de Cesaréia é mencionada várias vezes nos Atos. Foi nesta cidade que Paulo, vindo de Tiro, no fim da sua terceira viagem (Atos 21, 8), residiu na casa de Filipe, um dos sete diáconos (ver Atos 6, 5). Foi lá igualmente que esteve preso durante dois anos (Atos 24, 27) e teve de apresentar a sua defesa diante de Festus, Agripa 11 e sua irmã Berenice (Atos 25-26), antes de ser enviada a Roma, à guarda do centurião Julius (Atos 27-28), para aí ser julgado.

Cesaréia

A construção de Cesaréia, no fim do século I a.C., atesta os progressos técnicos realizados nesta época. A fundação e a prosperidade de cidades mais antigas, como Jopé ou Dor, tinham dependido essencialmente da sua situação na costa e dos recursos locais em água potável. A criação de Cesaréia, cuja situação natural não predispunha de modo nenhum para tornar-se capital de província, iria representar uma autêntica proeza da parte dos seus engenheiros e dos seus arquitetos. No lugar de uma antiga aldeia de pescadores, Herodes edificou, entre 22 e 9 a.C., não apenas o mais importante porto da região mas também uma cidade que viria a tornar-se a residência principal dos reis judeus e dos procuradores romanos da Judéia. No número destes últimos é oportuno mencionar Pôncio Pilatos (26-36 d.C.), que governou o país na época em que Jesus foi crucificado, e Félix (52-60 d.C), que durante dois anos manteve Paulo na prisão da cidade. Cesaréia viria a conversar a sua importância estratégica até o tempo das cruzadas. Os vestígios antigos, que as escavações não cessam de revelar; ao mesmo tempo em que suscitam a admiração dos visitantes, não fazem mais do que confirmar o seu passado esplendor.

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