Bar Am, uma Sinagoga Galiléia.

Em Bar Am, na Alta Galiléia, podem-se ver as majestosas ruínas de uma sinagoga que teria sido construída pelo rabi Simeão Bar Yoqai, o famoso rabino agora sepultado em Meron. A fachada esta bastante bem conservada, e até é possível ver restos de um segundo andar.

O edifício se orientava para Jerusalém, e tinha um pórtico com oito colunas, seis em frente e uma de cada lado. As três entradas eram profusamente decoradas, e a arquitrave da entrada principal era rematada por uma arcada com friso.

Originalmente era decorado com duas estátuas de Nikê – a deusa alada grega da Vitória – que foram mutiladas de propósito, talvez por um fiel enfurecido que acreditava que um “ídolo” ou uma figura pagã não deveria adornar a fachada de uma sinagoga.

Os dois acessos menores são decorados com frisos, um com uma corda em espiral e outro com folhas.

O interior da sinagoga foi construído em planta de basílica com três naves, formadas por duas fileiras de colunas.

Em vez de mosaico, o piso era coberto com lajes. A decoração interior incluía algumas obras de pedra esculpida: foram encontrados restos de uma cabeça de leão, bem como um painel de pedra cinzelada com folhas, conchas marinhas e desenhos geométricos.

Nos arredores da povoação havia uma segunda sinagoga. Os relatos de viagem do século XVI explicam que duas das três portas originais ainda continuavam de pé, mas no século XIX só restava uma.

Montfort, Fortaleza dos Cavaleiros Teutônicos.

Montfort é um dos mais belos castelos dos cruzados em Israel, mas como fortaleza sua importância residia mais em sua localização que na relativa resistência de suas fortificações. Situado longe de qualquer importância militar. Foi construído pelos cavaleiros da Ordem Teutônica em um outeiro, cerca de 180 metros acima do vale do rio Najal Keziv, e comparado a uma “gigantesca proa de navio sulcando as verdes colinas da Galiléia”. Ao que parece, sua localização isolada foi escolhida para que servisse de quartel-general da Ordem Teutônica, bem como para guardar seus arquivos, armazenar tesouros e, talvez, servir como uma espécie de lugar de retirada.

É provável que o castelo tivesse sido comparado do feudo de Miliya e depois reconstruído segundo as indicações dos cavaleiros, que a chamaram Starkenberg, a tradução alemã de Montfort. Em seu extremo leste, o castelo é separado do restante da cadeia de montanhas por um profundo fosso cavado na rocha.

O terreno tem cerca de 10 quilômetros de comprimento por somente 30 de largura, e o valor estratégico do castelo era limitado, uma vez que devido a seu pequeno tamanha ele não tinha capacidade para um grande exercito de defensores.

Na parte oeste foi encontrada uma serie de muralhas de 10 metros de altura que reforçavam a muralha do limite exterior.

Também surgiram restos de três portas; a entrada principal era pelo noroeste, pelo caminho que vinha de Acre. Esta porta se conversou integralmente e dava acesso à outra porta interior com uma torre de três andares. Duas grandes salas abobadadas no extremo oeste do castelo eram os porões da residência do senhor feudal e da sala de recepções.

Os restos de vidraças num dos cômodos em ruínas indicavam a localização da capela.

Mas para o leste, outras salas, bem como a cozinha, serviam de aposentos para os cavaleiros. Perto foram encontrados também um lagar e uma forja. O torreão, o donjon, ficava no extremo leste, para que se pudesse vigiar a ponte levadiça sobre o fosso. Ao que parece, o torreão foi à primeira estrutura edificada em Montfort, já que nele as pedras lavradas são de melhor qualidade que as do restante do forte e podem remontar ao tempo dos romanos.

Um dique continha o rio, e nas margens foram encontrados restos do que havia sido um edifício de dois andares no qual funcionava um moinho de farinha que depois foi usado como albergue para peregrinos.

Em 1266, as forças muçulmanas de Baibars atacaram o castelo, mas o cerco fracassou. Cinco anos depois conseguiram seu objetivo ao fim de uma semana, quando solaparam a muralha sul e tomaram a torre interior.

Os cavaleiros se reuniram no torreão, mas, ao compreender que qualquer defesa era inútil, renderam-se e conseguiram permissão para retirar-se para Acre com seus tesouros.

Embora do castelo não tivesse restado muita coisa em pé, ao menos se conservaram em papel muitos documentos valiosos que nos explicam as atividades dos cruzados na Galiléia.

Acre, a Porta da Terra Santa.

Acre, ou Acco, sempre foi vista como a chave da Terra Santa, por contar com um dos poucos portos seguros da costa mediterrânea e por controlar o acesso à extensa planície que adentra até o centro do país. Menciona-se Acre pela primeira vez nos Textos de Execração egípcios do Império Médio como um dos Estados locais que ameaçavam o domínio egípcio. Desde a Antiguidade aparece como uma importante cidade costeira, conquistada varias vezes: Tutmósis II do Egito a tomou, e ela é citada com frequência nas Cartas de el-Amarna.

Sua conquista pelo faraó Ramsés II foi ilustrada num baixo-relevo do templo de Karnak. No livro dos Juízes 1, 31, Acre esta em primeiro lugar na lista de cidades não derrotadas por Aser.

No entanto, durante o reinado de Davi os israelitas reivindicavam territórios tão ao norte quanto Tiro, o que incluía Acre. Continuou a ser uma importante cidade fenícia até que Alexandre, o Grande, conquistou-a em 336 a.C. Sob o reinado de Ptolomeu II filadelfo, Acre se transformou num Estado semi-independente e passou a chamar-se Ptolemais.

A base principal da campanha romana contra a Primeira Rebelião judaica, de 66-70 d.C., era Acre, e o historiador judeu-romano Flávio Josefo relatou o massacre dos dois mil judeus que viviam na cidade na época.

Ela é também mencionada no Novo Testamento como o lugar visitado por São Paulo em sua terceira viagem (Atos, XXI, 7).

Os árabes tomaram o porto em 636, e seu nome voltou a ser Acre.

Em 1104, os cruzados, sob o comando de Balduíno I, cercaram e conquistaram a cidade, e ao porto se deu o nome de São João de Acre.

Mas os cruzados perderam a cidade para Saladino em 1187, e ela ficou nas mãos dos muçulmanos até ser recuperada pela terceira Cruzada em 1191. Acre não era só uma cidade de clérigos, cavaleiros e peregrinos, mas, sobretudo um importante centro comercial.

A rivalidade entre as cidades-estados italianas-Veneza, Gênova e Pisa – dividiu as diversas ordens religiosas na coalização governante da cidade.

Estes conflitos eclodiram em diversos episódios de guerra aberta. Quando em 1291 Acre foi invadido pelos mamelucos, a cidade havia sido em mãos cristãs, a capital do “Reino Latino de Jerusalém” durante todo um século. Acre entrou em declínio até o ultimo quarto do século XVIII, quando o sultão otomano Dhaher al-Amir (1750-1755) restaurou as muralhas da cidade e Jazzar Paxá (1775-1804) construiu a Grande Mesquita e os banhos turcos. Em 1799, Jazzar rompeu o assedio de Napoleão com a ajuda dos ingleses e deteve o avanço dos franceses para o norte. A antiga cidade de Acre ficava num montículo na margem norte do rio Na’aman, e os restos que ali se encontraram remontam, pelo menos, a um período que vai de 2200 a.C. ao final do século II a.C.

A Antiga Acre, uma Cidade Otomana Construída sobre Alicerces dos Cruzados.

O porto de Acre nos tempos otomanos, como se vê aqui, foi construído sobre os alicerces ou ruinas da época dos cruzados. Estes ocuparam Acre após um cerco de 20 dias em maio de 1104.

Ela voltou a ceder diante das forças de Saladino de 1187 a 1191. A Acre cruzada era dividida em diversos bairros entre os mercadores das cidades-estados italianos, Veneza, Gênova e pisa. A cidade foi conquistada pelos mamelucos em 1291 e sistematicamente derrubada para evitar uma nova ocupação dos cruzados. Acre permaneceu muito tempo em ruinas, até que, em meados do século XVIII, Dhaher al-Amir e Jazzar Paxá a reconstruíram.

O centro principal da cidade foi então transferido para o porto. Durante a época das Cruzadas, Acre foi dividido em diversos bairros ligados a ordens militares; no centro ficava a Ordem de São João, os Hospitalários; ao sul, os Templários; e ao norte a Ordem de São Lázaro.

Na época das Cruzadas, a cidade era bastante maior que a atual cidade velha. As muralhas do tempo dos cruzados foram soterradas em grande parte pela cidade nova, e as muralhas que restam no norte e no leste foram construídas por Jazzar Paxá. A cidade turca do norte é agora o edifício mais destacado da cidade velha.

Durante o domínio britânico, foi usada como prisão, e ainda está preservada a sala onde alguns combatentes judeus clandestinos foram executados pelos ingleses. Debaixo do que era um hospital estatal foi encontrado o refeitório da Ordem de São João, de 1148.

Muitos edifícios dos cruzados foram preenchidos durante a época otomana para reforçar os alicerces dos edifícios construídos em cima. E também foram escorados os corredores subterrâneos que conduziam, ao norte, às muralhas da cidade e, ao sul ao porto, e que eram anteriores à época das cruzadas.

Perto do refeitório há uma serie de salas paralelas subterrâneas que remontam ao século XI ou XII. São chamadas el-Bosta, e é provável fatímida reutilizado pelos cruzados como enfermaria, com o teto reconstruído em estilo europeu.

A Grande Mesquita foi erguida em 1781 por ordem de Jazzar Paxá, e é provável que descanse sobre os alicerces da igreja cruzada da Santa Cruz. As colunas romanas do pátio procedem das ruinas de Cesaréia.

Os banhos municipais, Hamman al-Bajá, também construídos por Jazzar Paxá, são agora um museu.

Acre era a grande porta de entrada para a Palestina até os princípios deste século, e foram construídos diversos Janes perto do porto para alojar os mercadores e seus animais. Em seu ângulo sudeste, o Khan esh-shawarda tem uma torre do século XIII.

Ao sul fica o Khan al-Faranj, centro do bairro veneziano durante as cruzadas, com a igreja dos Franciscanos do século XVII na esquina nordeste. O Khan al-Umdan, com sua torre do relógio turca construída em 1906, fazia parte do bairro genovês, e a maioria dos edifícios localizados ao sul é da época das Cruzadas. O que agora é a cafeteira Abu Cristo era o lugar do porto da comunidade pisana que conduzia até a muralha marítima, e que foi construído sobre restos da época das Cruzadas e de períodos anteriores. A leste se encontra a Torre das Moscas, que assoma parcialmente sobre as águas. O porto, que havia sido o mais importante da Terra Santa, é agora resguardado por um quebra-mar e utilizado apenas por pequenos barcos de pesca.

Safed e Meron: dos Místicos.

Safed é uma das quatro antigas cidades sagradas da Terra Santa para os judeus; as outras são Tiberíades, Hebron e Jerusalém. No Talmude de Jerusalém (o livro da lei judaica), Safed é mencionada como um dos cumes da montanha onde, na época do Segundo Templo, eram acesas as fogueiras para anunciar o princípio de cada mês e o inicio das festas.

Embora Safed tenha sido fundada por algumas famílias de sacerdotes que estavam fugindo da destruição de Jerusalém em 70 d.C., ela só adquiriu importância quando ali foi construída Saphet, uma fortaleza dos Cruzados, em 1140. Saladino conquistou Safed em 1188, mas ela voltou para asa mãos dos cruzados em 1240. Os mamelucos ocuparam a fortaleza em 1266 e a aumentaram a fortificação.

A partir dessa época, Safed se transformou pouco a pouco em um centro intelectual judeu, e no final do século XV, após ter recebido um grande numero de judeus fugindo da Inquisição espanhola, Safed passou a ser um centro comercial.

Safed era, e ainda é, um lugar de misticismo judeu. Era o lugar de nascimento do rabino Joseph Caro, autor no século XVI do Shulhan Arukh, uma complicação da lei e dos ritos judeus.

Hoje ainda há sinagogas dessa época. O rabino Isaac Luria, Há-Ari ou “o Leão”, principal interprete do misticismo judeu, a Cabala, viveu e ensinou em Safed, e seus discípulos podem ser incluídos entre os atuais judeus de Safed. Safed foi também o lugar de nascimento da primeira imprensa hebraica da terra Santa, instalada pelos irmãos Ashkenazi em 1563.

Durante o século XVII, Safed contava entre a sua população judaica com 300 estudiosos rabínicos, 18 escolas religiosas e 21 sinagogas, bem como com 1.200 pobres que viviam da caridade. Teve inicio uma decadência da comunidade no final do século XVII, agradava por uma epidemia em 1747 e um grave terremoto em 1759. A cidade desfrutou de uma nova prosperidade em fins do século XVIII, com o assentamento de 300 hassidicos (judeus ortodoxos) seguidores do rabino Israel Bem Eleazar – o Ba’al Shem Tov – e, depois, dos seguidores do rabino Elijah Bem Solomon Zalman, o Gaon de Vilna.

Não obstante, Safed foi dizimada por um terremoto em 1837, quando as casas desabaram umas sobre as outras nas escarpadas encostas e 4.000 judeus perderam as vidas. Safed é o lugar de onde saiu o rolo de pergaminho da Torá em direção a Meron, a cerca de oito quilômetros, para a festa de Lag ba-Omer. Meron era o berço do rabino Simeão bar Yoqai, autor do livro místico Zohar, e de seu filho Eleazar.

O lugar de sua sepultura se transformou num importante centro de peregrinação judaica.

Os primeiros vestígios de assentamento são de 200 a.C., e Josefo menciona Meron como uma das cidades que ele fortificou em 66 d.C.

A população prosperou quando a cidade se transformou num centro de produção de azeite de oliva.

Em Meron se encontram também as ruinas de uma sinagoga do final do século II, construída com planta de basílica. Ainda se conserva a sua fachada, ainda que um dintel da porta central esteja fendido e pareça prestes a cair.

Se assim fosse, uma crença popular assegura que seria o sinal da chegada iminente do Messias.

Cafarnaum, Testemunha do Evangelho.

Cafarnaum era o centro do ministério de Jesus na Galiléia. Kfar Nahum, seu nome em hebraico, tem também ruinas de uma impressionante sinagoga. Localizada na margem noroeste do mar da Galiléia, a povoação remonta pelo menos ao século XIII a.C. e nunca foi fortificada. Pedro e André, os discípulos de Jesus, instalaram-se em Cafarnaum. Foram encontrados nas escavações os restos de uma grande cidade.

Ao sul foram encontradas as ruinas de uma basílica de forma octogonal do século V, que havia sido construída sobre os restos de uma casa.

É este o lugar original do que, por tradição, foi considerada a casa de Sião Pedro, e as ruinas são do século I. a espaçosa casa foi construída perto da margem do lago, e, já algumas décadas depois da morte de Cristo, um Cômodo foi dedicado ao culto.

No final do século IV se havia transformado em lugar de peregrinação, uma domus ecclesia, casa-igreja, decorada com belos caiados e paredes rebocadas. Durante o século seguinte, foi construída no lugar uma igreja de forma octogonal, cujo plano eram dois octógonos concêntricos rodeados por um pórtico por todos os Lados menos três.

Os oito pilares quadrados, formavam o octógono interior e serviam de apoio para o teto abobadado, característica arquitetônica muito comum nos edifícios de veneração na Terra Santa.

A sinagoga de Cafarnaum foi construída provavelmente em fins do século IV, embora o edifício primitivo possa remontar ao século II ou III.

No Evangelho de Lucas (VII, 5) é mencionada uma sinagoga construída pelo centurião romano, e é possível que estivesse naquele mesmo lugar.

Era dividida em três seções, com um pórtico ou alpendre na fachada, uma grande basílica central com três entradas, e tinha um cômodo que servia ao que parece, como sala de estudo.

A sinagoga foi construída com pedra calcaria branca, e sua presença devia ser impressionante numa povoação onde as casas eram todas feitas de basalto negro.

Tiberíades, Centro do Talmude.

Tiberíades é uma cidade importante para o povo judeu, uma vez que grande parte do Talmude, o livro da lei e dos ritos judeus, foi escrito ali. Também era uma cidade importante no tempo de Jesus: o Novo testamento, no Evangelho de João (VI, 1; XXI, 1), chama o mar da Galiléia de mar de Tiberíades. A cidade se localiza a somente 14 quilômetros de cafarnaum, e é provável que Jesus atravessasse a cidade com frequência. Tiberíades foi fundada por Herodes, o Grande, quando transferiu de Séforis para lá a capital da Galiléia.

Perto do núcleo principal de Tiberíades ficava o Hammat Tiberíades, as termas que não só era um lugar de espairecimento, mas também contavam com duas importantes sinagogas.

Localizada abaixo do nível do mar, Tiberíades é quente e úmida no verão, enquanto no inverno oferece um agradável contraste com as regiões mais frias do país.

Os limites da cidade romana iam do palácio real de Antipas, construído no monte Berenice, 200 metros acima do lago, a uma estreita faixa de terra ao longo da margem. Ao sul da cidade havia uma porta imponente com duas torres circulares que se abria para o Cardo, que atravessava a cidade até o norte.

As escavações encontraram parte do Cardo primitivo, os restos de uma casa de banhos decorada com mosaicos de peixes, um mercado coberto e uma basílica romana.

De fontes judaicas se sabe que Tiberíades teve 13 sinagogas, e uma destas foi encontrada no Cardo ao norte da cidade velha. No sopé do monte Berenice havia restos de uma mansão construída em 200 d.C. e habitada pelo menos até meados do século VIII. Sugeriu-se que podia ser o beit midrash, o seminário do rabino Johanan, um dois principais autores do Talmude palestino. Ao sul da cidade velha ficavam as termas, Hammat Tiberíades. Foram encontradas duas sinagogas, e numa delas, ao sul há um esplendido piso de mosaico. O nível mais antigo da sinagoga é do século I d.C., e o terceiro, do século VIII.

Foi no segundo nível, do século IV, que o mosaico foi encontrado. Ao contrario das outras sinagogas da Galiléia, ela foi construída com planta larga com três fileiras de pilares dividindo-a em quatro naves laterais. Na nave central há um mosaico de três painéis. No inferior aparece uma inscrição com o nome dos fundadores da sinagoga e um leão de ambos os lados.

O painel central compreende um zodíaco com os 12 signos dentro de um circulo e uma representação de Hélios, o deus do sol, conduzindo seu carro.

Infelizmente, os desenhos estão bastante deteriorados pelos restos de uma parede do nível seguinte sobrepostos ao mosaico.

Em cada um dos quatro ângulos há uma figura feminina que representa as estações do ano. A parte superior mostra um desenho realista de um altar de Torá coberto por uma cortina posta no centro e presa com um nó. De ambos os lados há um menorá de sete braços e diversos objetos religiosos, com o shofar ou chifre de carneiro, uma pá de incensário o lulav ou ramo de palmeira, e um etrog ou cidreira da festa do Tabernáculos, Succoth.

Apesar de o tema do Zodíaco ser muito similar ao da sinagoga de Beit Alfa, este mosaico mostra forte influencia do estilo helenístico-romano.

A outra sinagoga de Hammat Tiberíades foi construída com planta de basílica com duas fileiras de colunas. Infelizmente, o piso de mosaico foi quase completamente destruído em meados do século VIII.

Séforis, Capital da Galiléia.

Séforis proporcionou alguns dos melhores exemplares de pisos de mosaico que se encontraram nas ultimas escavações.

As primeiras mostras de assentamento são do século VIII ou VII a.C. e depois a cidade se destacou por sua localização dominante da Antiguidade, um da costa leste de Acre de Tiberíades e cruzando-a, e outro ao sul para Nablus, Jerusalém e Hebron. Durante o período asmoniano e também durante o período herodiano, Séforis foi a capital da Galiléia. Só no reinado de Herodes Antipas (4 a.C. -39 d.C.) a capital foi transferida para Tiberíades.

Por ser o maior centro urbano da Galiléia, não resta duvida de que Jesus a conhecia. Depois da destruição do Segundo Templo e do exilio dos judeus de Jerusalém, muitos deles fugiram para a Galiléia.

Por 17 anos, Séforis foi à sede do sinédrio, o tribunal dos judeus, até a morte de seu líder rabino judah há-Nasi; foi então que a sede foi transferida para Tiberíades. O Mishnah, a primeira versão da lei oral judaica, foi codificado por judah há-Nasi em Séforis. Em 363, a cidade foi destruída por um terremoto e depois restaurada apenas em parte, mas continuou a ser um centro de população judia até o século V.

No século VI havia também uma importante população cristã a cargo de um bispo. Os cruzados construíram uma fortaleza, Le Sephorie, da qual ainda há restos. No final do século XVIII, o governador otomano da Galiléia fortificou novamente a cidade. O centro cívico de Séforis ficava no cume da colina, e ali se encontra ainda um anfiteatro romano notável. Crê-se que foi construído no principio do Século I d.C. e tinha capacidade para 4.500 espectadores.

Imediatamente ao sul do anfiteatro há uma suntuosa mansão, provavelmente edificada no século III d.C. Era uma construção de grandes dimensões com uma enorme sala no centro que se prolonga em cômodos por três lados.

No quarto lado havia um pátio com uma piscina decorativa. O achado mais impressionante é o piso de mosaico da grande sala. Mostra um tema dionisíaco com diversas cenas da vida do deus grego e diversas formas de adoração de seu culto. No centro do mosaico há uma bela mulher que foi batizada “a Mona Lisa da Galiléia”. Ao que parece, a casa foi abandonada depois do terremoto de 363.

Mais para oeste foi encontrada uma área residencial de Séforis. As casas eram voltadas para uma rua principal que seguia na direção sudeste-noroeste.

As casas costumavam ter dois andares, com quartos, sala armazém, cozinha e uma cisterna no porão.

A grande quantidade de mikvehs (banhos rituais judeus) encontrados confirma que Séforis era uma cidade judaica.

Foi encontrado também outro mosaico importante da época bizantina. No sopé da colina apareceu outro grande edifício. Era construídos de ashlars, grandes blocos de pedra; cada lado media mais de 60 metros, e em seu interior havia um mosaico extraordinário com diversas cenas do rio Nilo.

O rio flui horizontalmente, e nas margens há peixes e pássaros. Pode-se ver um pescador com a rede e também um nilômetro, uma coluna para medir o nível da água. No ângulo superior esquerdo aparece uma figura feminina reclinada com uma cesta carregada de frutas que representa o Egito, e no ângulo oposto um personagem masculino representa o rio Nilo. No centro há um desfile de pessoas que se dirigem a Alexandria, representada por duas torres altas de ambos os lados das portas da cidade. A parte inferior mostra cenas de caça, entre as quais a descrição muito plástica de um leão furioso saltando sobre o lombo de um touro.

Nazaré, Monte Tabor, Caná e Tabga: Lugares Espirituais.

A cidade de Nazaré, onde Jesus passou a juventude, destaca-se pela basílica da Anunciação. Consagrada em 1968, a igreja moderna se ergue sobre as ruinas escavadas de diversas igrejas anteriores. A freira peregrina Egéria escreve em suas viagens de 368 d.C. que lhe foi mostrada a gruta onde vivera Maria.

A primitiva igreja da Anunciação era pequena, e foi construída sobre outra estrutura que devia ser uma sinagoga. Tancredo, o príncipe cruzado, edificou uma igreja dedicada à Anunciação em 1099. Esta igreja cobria grande parte do terreno da igreja bizantina, incluindo a gruta da Anunciação. A igreja atual tem acrescentados, cinco capiteis magnificamente lavrados por artistas franceses e que eram destinados à igreja dos Cruzados e foram escondidos quando Saladino invadiu a cidade.

Em 1620 os franciscanos compraram as ruinas da igreja. Entre outras igrejas de Nazaré está a de São José, onde uma tradição do século XVII apontou uma gruta debaixo da igreja como a oficina de José. A igreja ortodoxa grega de São Gabriel é edificada sobre as ruinas bizantinas das fontes da Anunciação.

Dois lugares da Galiléia podem ser a localização da Caná, onde Jesus fez os milagres de transformar água em vinho num banquete de bodas e de curar o filho de um nobre que havia adoecido em Cafarnaum.

Uma pesquisa arqueológica das ruinas de Khirbet Qana demonstrou que foi uma povoação importante no tempo dos romanos. O outro lugar é Kefar Kana, e apenas sete quilômetros de Nazaré e mais conhecida pelos milagres de Jesus.

Já desde o século VI se faz menção a uma igreja em Kefar kana que, no século XVII, era usada como mesquita. Em 1641 os franciscanos compraram a casa contigua à mesquita e em 1879 adquiriram toda a propriedade e construíram uma pequena igreja. Mais tarde, durante a restauração da igreja, as escavações debaixo dos alicerces revelaram um piso de mosaico de uma sinagoga do século III ou IV d.C.

Em 1885 foi construída, muito perto, uma igreja ortodoxa russa. O monte Tabor é mencionado pela primeira vez na Bíblia como o lugar onde os exércitos de Débora e Baraq derrotaram o rei cananeu de Jasor.

Foi também um baluarte judeu durante a Primeira Rebelião judaica. Embora a localização exata não seja mencionada na Bíblia, o monte Tabor foi dado como o lugar da transfiguração de Jesus (Mateus, XVII, 1-8). Em 1924 construiu-se uma basílica moderna sobre as ruinas de uma igreja bizantina. O lugar é fonte de inspiração devido a suas extraordinárias vistas em linha reta até o Hermon e, para o oeste, até Nazaré, o vale de Izreel e as montanhas de Samaria.

Beit Shearim, no Labirinto das Catacumbas.

As catacumbas de Beit Shearim nos dão uma nova percepção da vida cultural dos judeus depois de sua expulsão de Jerusalém em 70 d.C. Muitos deles se instalaram na Galiléia. A cidade de Beit Shearim, no sul da Galiléia e no extremo oeste do vale de Izreel, tornou-se famosa no século II porque ali vivia o rabino Judah há-Nasi e a cidade passou a ser a sede do Sinédrio.

A necrópole ou cemitério também adquiriu fama, tanto entre os judeus da Galiléia quanto entre os da diáspora que desejavam que seu último lugar de repouso fosse a Terra Santa. As câmaras sepulcrais de Beit Shearim estão quase toda em catacumbas escavadas na pedra calcaria. As figuras gravadas nos sarcófagos, os ataúdes de pedra, dão-nos algumas pistas básicas da religião praticada pelos judeus nessa época. Beit Shearim foi arrasada devido à rebelião judia contra o ditador romano Galo em 352, e a necrópole foi abandonada.

As escavações na cidade encontraram uma sinagoga construída com o esquema habitual de mármore com inscrições gregas dando o nome dos que contribuíram para a edificação. Supõe-se que um grande edifício, chamado “a basílica” pelos arqueólogos, devia ser um estabelecimento publico, ainda que se desconheça sua função exata. De qualquer forma, o que torna Beit Shearim tão fascinante é a informação que nos proporciona a necrópole: as tumbas em si, as inscrições e sua ornamentação. As catacumbas ficam nas encostas de colinas que descem da cidade, e também em outras colinas próximas. Parece claro que a economia da cidade baseava-se, em grande parte, em fornecer ataúdes e serviços funerários. Judah há-Nisi foi enterrado ali, assim como outros membros de sua família e importante Juízes do Sinédrio.  Como aos judeus era proibida a entrada em Jerusalém, Beit Shearim foi sua substituta como lugar de sepultura na Terra Santa.

Existem provas que demonstram que os defuntos eram trazidos de lugares tão distantes como Antioquia, o sul da Babilônia e o sul da Arábia, para serem enterrados nas catacumbas. Devido aos astronômicos preços do transporte, só pessoa muito rica ou muito importante para a sua comunidade podiam dar-se a viagem. As salas mortuárias mais impressionantes têm mais de um andar. O acesso costumava se por uma entrada sofisticada, e, em alguns casos as portas se conservaram até nossos dias. Lavradas em pedra e imitando uma porta de madeira, algumas delas ainda giram sobre as dobradiças de pedra. As entradas conduziam a pátios grandes e ornamentados que deviam ser utilizados pelos acompanhantes durante o funeral ou os serviços religiosos. Dos pátios havia acesso às catacumbas que continham os sepulcros. Alguns desses recintos eram imensos.

A que foi chamada catacumba 1, por exemplo, era uma sala para enterros públicos que dispunha de pelo menos 400 lugares para tumbas. A chamada catacumba 20 é a mais impressionante. Alinhados nos corredores e nas diversas salas há os restos de 130 sarcófagos, muitos dos quais decorados com desenhos próprios da arte judaica da época, especialmente o menorá de sete braços e a Arca da Lei, em geral em forma de porta dupla ladeada por colunas. Outros motivos recorrentes são os relacionados às principais festas judaicas, como o shofar, ou chifre de carneiro.

Os pares de leões são outro tema habitual, bem como diversas formas da natureza, como conchas e videiras.

Também aparecem elementos arquitetônicos como colunas e arcos.

Por mais surpreendente que possa parecer, é muito habitual a influencia helenística na decoração, e até eram permitidas imagens como águias ou a cabeça de um touro. Ao que parece, o mandamento judeu contra as representações iconográficas era bastante flexível nessa época, já que foram encontradas decorações parecidas em outras sinagogas, como a de beit Alfa, que mostram o mesmo e encantador estilo primitivo.

Megido, a Fortaleza de Armagedon.

Megido fica em um ponto estratégico da Via Maris, o caminho do mar é uma das principais rotas comerciais da Antiguidade. Ocupa também lugar estratégico no Apocalipse (XVU, 16) do Novo testamento.

No final dos tempos, os exércitos de Satã deverão estar em Armagedon para a batalha final deriva da palavra hebraica Har Megiddo, ou monte de Megido.

Do alto do monte se divisa o vale de Izreel com o monte Tabor, o monte Guilboa, Nazaré a leste e a cordilheira do Carmelo a noroeste.

Esta localização estratégica é ilustrada no relato de uma batalha escrito em hieróglifo e encontrado no Templo de Amon de Karnak, no alto Egito. Explica ele como o faraó Tutmósis III conquistou Megido em 1479 a.C. Procedentes do sul, Tutmósis e seus generais discutiram sobre que caminho tomar nas montanhas que separavam Megido da Planície costeira. Seguindo o caminho do meio, o mais difícil poderia cair em uma emboscada no desfiladeiro chamado Wadi Ara em árabe.

As rotas mais fáceis eram pelo norte ou pelo sul. Tutmósis pensou que os cananeus o esperariam nos caminhos mais fáceis e escolheu o mais difícil.

Ganhou a batalha e depois, inexplicavelmente, deixou que os cananeus se reagrupassem na fortaleza de Megido. Só ai fim de um cerco de sete meses ele conseguiu conquistar a cidade.

Os restos achados pelos arqueólogos remontam a 3300 a.C. e revelam que Megido era, antes de tudo, um importante centro religioso. Na encosta leste do montículo foram encontrados restos de uma grande área sagrada que havia sido utilizada ininterruptamente por 2.000 anos.

O núcleo deste centro religioso era o bamah, um altar circular elevado, que media oito metros de diâmetro e 1,5 metros de altura, com sete degraus que conduziam ao alto. Perto dali, em escavações, foram encontrados restos de três templos, construídos segundo uma planta retangular com a entrada no centro. A cidade era rodeada por uma muralha maciça de pelo menos 2000 a.C., e encontrava-se por uma porta colossal.

É surpreendente, mas não se encontraram provas de uma muralha de 1479 a.C., quando se supõe que Tutmósis III situou a cidade. Este fato é um enigma para os arqueólogos, uma vez que outras cidades importantes do mesmo período (Bronze Final), como Jasor, Siquêm e Láquis, tampouco eram fortificadas.

Demonstra-se a importância de Megido, como centro principal pelo esconderijo com marfins cananeus encontrado no palácio de 1550-1150 a.C.

Os 382 marfins do Egito, da Assíria, de Canaã e da Anatólia deviam pertencer a um príncipe. Muitos deles eram pequenas placas para decorar moveis, produtos de toucador como pentes e caixinhas, e outros eram peças de diversos jogos de mesa.

Megido foi uma das cidades imperiais do rei Salomão, e em 1 Reis IX, 15 é explicado como ele organizou o trabalho para construção das muralhas da cidade.

Os restos arqueológicos demonstram que nessa época foram construídos vários palácios suntuosos, feitos com grandes blocos retangulares de ashlar e com capitéis protojônicos adornando as colunas. As fortificações da cidade consistiam, em parte, nos muros posteriores dos edifícios maiores, unidos para formar uma muralha continua.

Embora não exista acordo entre os arqueólogos quantos ao tipo de porta, devia consistir seis salas de guarda, 3 de cada lado, fechadas por uma serie de portas de madeira em tempo de guerra.

Só depois, durante a Monarquia Dividida, foi construída a porta em forma de L um dos debates mais continuados entre os arqueólogos diz respeito à função do que se conhece como “Estábulos de Salomão”, descritos em 1 Reis IX, 19, nos quais Salomão “ tinha cidades para seus carros e cidades para seus cavalos”. Cada estrutura consiste em salas alongadas, cada uma dividida ao meio e em toda a extensão por duas fileiras de pilares.

Entre estes há grandes blocos esvaziados que parecem manjedouras. Em alguns casos, foram feitas nos pilares orifícios próprios para amarrar um animal.

Ao norte da cidade foram encontrados 12 edifícios alongados, e ao sul cinco que se abriam para um grande pátio. No centro havia uma estruturar quadrada que podia ser usada como bebedouro para cavalos. Não obstante, muitos arqueólogos afirmam que essas dependências são por demais pequenas para guardas cavalos e que, devido a sua semelhança com certos edifícios de outros lugares como Beerseba, o mais provável é que fossem armazéns.

Outros sugeriram que poderiam ser mercados ou até quarteis.

Megido se transformou numa fortaleza durante o período da Monarquia Dividida, rodeada por uma muralha de quase quatro metros de espessura e dentes de serra. Para assegurar o fornecimento de água a cidade com maior eficácia em caso de cerco, foi cavado um poço de abastecimento, um longo túnel de 70 metros, e uma sala-deposito no manancial, localizado nos arredores e a sudoeste da cidade. Foram tomadas as medidas apropriadas para que o manancial ficasse escondido.

Na mesma época foi construído um silo de grãos com capacidade para 450.000 litros, com escadas em caracol de ambos os lados; a estrutura toda devia ser coberta por um teto abobadado para proteger os grãos.

Quando o rei egípcio Necau matou o rei Josias em Megido (2 Reis, XXIII, 29; 2 Crônicas XXXV, 20-XXXVI, 4), a cidade começou a decair, e no final do período persa (600-332 a.C.) ficou em ruinas após 3.000 anos de esplendor.

A Cidade-Fortaleza De Megido.

Megido é um tell de vinte estratos ou camadas, que representam pelo menos 14 cidades ou épocas de ocupação.

Como Megido foi um dos primeiros sítios da Terra Santa a ser escavado, pela primeira vez em 1903, e como as técnicas e teorias da arqueologia mudaram, há grande debate entre os arqueólogos acerca das estruturas exatas que formaram cada uma das camadas. Neste desenho aparecem diversos períodos da historia da cidade, a fim de mostrar a riqueza das diferentes culturas e povos representados nos arquivos arqueológicos.

Dor, O Porto Fenício.

Um dos exemplos mais significativos da cultura marítima fenícia é Dor, ainda não totalmente escavada pelos arqueólogos.

O porto é mencionado pela primeira vez numa antiga inscrição egípcia no tempo Ramsés II, no século XIII a.C. os restos arqueológicos mostram que o lugar foi ocupado desde o século XX a.C., foi primeiramente como assentamento cananeu ou fenício.

Por volta de 1200 a.C., Dor foi conquistada por um dos Povos do Mar, os sekeles, membros do grupo de tribos invasoras que incluía os filisteus. Uma profunda camada de matéria queimada, datada de 1050 a.C., indica que a cidade dos sekeles foi assolada, e os arqueólogos supõe que os fenícios atenham  reconquistado .

A seguir reconquistada pelo rei Davi, quando este estendeu o seu reino costa acima até Tiro e Sídon (2 Samuel XXIV, 6-7) mas Dor continuou a ser um porto importante, sua gente sua cultura eram em grande parte fenícias e não se deixaram influenciar pelo poder – israelita, Assírio, babilônico, persa – que os governou. Só no reinado de Ptolomeu II Filadelfo (283-246 a.C.) o caráter fenício da cidade foi substituído, e ela foi reconstruída segundo o modelo grego.

Dor continuou a ser um porto importante até o final do período bizantino, embora tivesse sido eclipsado quando, no século I a.C., se construiu Sebastos, o porto da Cesaréia. O grande montículo de Tel Dor tem 14 metros de altura e mostra nitidamente a complexa historia desta cidade tantas vezes invadida. Foram encontrados restos da muralha de dentes de serra e da porta com quatro salas de guarda, provavelmente construída pelo rei Acab durante a Monarquia Dividida.

Há muitos exemplos do principal artesanato fenício, especialmente á elaboração de corante purpura e a produção de tecidos delicados. Os fenícios eram famosos em todo o mediterrâneo pela produção do corante que se extrai de um molusco múrex, e, ao que parece, esta indústria esta unida a historia do porto. As escavações da faixada marítima de Tel Dor foram de certa forma prejudicada pelas “escavações” do mediterrâneo, já que a ação das ondas erodiu pelo menos 15% do terreno.

Ao norte há uma ampla baía natural formada por um recife, ainda que tão pouco profundo que só podia ser usado por pequenas embarcações. O principal ancoradouro ficava no sul, numa baía natural e desprotegida. Existem provas de que, no século XIX a.C., foram construídas grandes estruturas de pedra nas formações rochosas naturais  submarinas para proteger o porto. Também há restos de outro porto artificial, construído entre as duas baías naturais. Ali foram encontrados os restos de três arquibancadas, certamente utilizadas como dique seco para reparação de embarcações com não mais 25 metros de comprimento.

Dor continuou a ser porto ativo até já bem entrado o período bizantino. Os restos de uma grande quantidade de ânforas, jarros de cerâmica de duas azas para conservar comestíveis, indicam que a cidade fazia parte de uma rede comercial que abrangia o Egito, o mar Negro e o sul da França.

Embora o porto só fosse utilizado em pequena escala depois de meados do século VII, os cruzados ao ocuparam e chamaram Merle. Depois, com o nome de Tantura, o porto estava ativo em 1664 quando um navio grego naufragou na praia. Os arqueólogos submarinos encontraram restos do navio junto a seu carregamento de queijo conservado em barricas de madeira esmagadas e enterradas na areia. No leito do rio foram desenterradas armas – canhões, fuzis e punhais-abandonadas pelas tropas de Napoleão durante a retirada que se seguiu à derrota em Acre em 1799.

Cesaréia, Orgulho Do Império Romano.

Cesaréia ainda conserva muito do esplendor que tinha dois mil anos atrás. Chamada assim em homenagem ao imperador romano César Augusto, foi dotada por Herodes, o Grande, de um porto marítimo modelo, maior que o Pireu, o porto da antiga Atenas, bem como um monumento ao imperador.

O porto artificial foi chamado Sebastos, a palavra grega para “Augusto”. A cidade contava com um teatro, um mercado (ágora) e ruas dotadas de um sistema de esgoto subterrâneo. No centro, sobre uma esplanada com vista para o mar, havia um grande templo dedicado a Roma e a Augusto. Os navios que entravam no porto passavam entre duas plataformas maciças da família de Herodes.

O porto era vigiado por um farol gigantesco chamado Durso, em homenagem ao amigo íntimo de Herodes.

Herodes sublinhou ainda mais sua soberania com um grande palácio, erguido sobre um promontório que dominava o mar.

Cesaréia foi construída entre 22 e 9 a.C. no terreno de um antigo porto fenício, a Torre de Strato, que remontava ao século III a.C. Crê-se que Herodes pretendia com o porto neutralizar a importância politica da Jerusalém judaica, e a cidade era regida pelas normas da típica cidade-estado helenística (pólis). Mais tarde, após a morte de Herodes, Cesaréia se transformou no quartel-general do governador provincial da Judéia.

Uma pedra gravada encontrada em Cesaréia confirma que um desses governadores foi Pôncio Pilatos, que condenou Jesus à morte.

A cidade sempre teve uma população judaica, e foi quase totalmente massacrada em 66 d.C. durante a Primeira Rebelião judaica contra Romeu.

Cesaréia é mencionada em Atos X como o lugar onde Pedro converteu o centurião Cornélio. Depois, em meados do século III, foi o local de moradia de Orígenes, o erudito cristão e comentarista da Bíblia. A população judaica retornou e fundou uma famosa escola rabínica. Quando o Império Romano se cristianizou no século IV, Cesaréia alcançou sua máxima expansão, e nela foram construídas novas fortificações.

Edificou-se uma igreja cristã na esplanada do templo. A cidade foi também o lar de Eusébio, o autor da história da igreja primitiva. Apesar de ter sido conquistada em 627 pelo exercito do imperador bizantino Heráclito, foi ocupada por forças árabes em 640 ou 641.

Cesaréia entrou em decadência e não voltou a ser um porto importante senão em 1101, quando foi invadida pelos cruzados. Hoje as muralhas dos Cruzados são o que há de mais notável para os visitantes, embora circundem uma área muito menor que as dos tempos bizantinos. Um sistema de aquedutos transportava a água desde as fontes do monte Carmelo até o norte da cidade, e esta obra de engenharia ainda atravessa a área rural ao norte de Cesaréia.

O teatro, ao sul da cidade, foi escavado e depois de sua restauração ele recuperou o antigo esplendor. Agora é um teatro para concertos ao ar livre.

No nordeste havia um anfiteatro de forma oval que oferecia aos romanos espetáculos populares, como lutas de gladiadores. Com 95 x 62 metros, era maior que o Coliseu, construído em Roma um século antes. O núcleo da cidade de Herodes era, naturalmente, o templo dedicado a Roma e a Augusto.

No interior dele havia gigantescas estátuas de César Augusto, o chefe de Herodes, e de Roma, a deusa da cidade de mesmo nome.

Cesaréia.

Herodes construiu Cesaréia como cidade romana, para que lhe servisse de  quartel-general administrativo longe de Jerusalém.

A nova cidade foi erguida no lugar de um porto fenício chamado Torre Strato e recebeu o nome de César em homenagem a César Augusto. O porto artificial de Sebastos era realmente impressionante, cercado por um cais com armazéns e dominado por grandes colunas com estátuas de membros da família de Herodes. Com vista para o porto, havia em uma plataforma um templo de grandes dimensões, dedicado à deusa Roma e ao imperador Augusto.

O templo podia ser visto do mar e marcava a representação visual da relação entre a cidade e o porto. Josefo descreve como Herodes construiu um importante porto marítimo numa faixa costeira com poucas baías naturais.

Integrando o porto artificial da Torre de Strato, Herodes construiu um formidável porto em três partes. A doca mais interna devia abarcar o porto fenício anterior.

A doca central se apoiava sobre formações rochosas naturais, com entrada de água regulada por um sistema de comportas destinadas a forçar uma corrente para arrastar sedimentos.

Um terceiro espigão formava uma extensa curva que começava no sul e no oeste e terminava numa ampla área.

Este foi construído como cimento conglomerado vertido em armações de madeira construídas dentro d’água, e durante as tempestades de inverno era protegido por outro muro, paralelo.

A coroação do poder de Herodes foi o palácio espetacular que mandou construir para si mesmo e que foi localizado pelos arqueólogos em um ponto que se proteja para o mar, imediatamente ao sul do porto artificial.

No centro de seu palácio havia uma piscina de água doce de tamanho olímpico com um pedestal para uma estátua. Uma grande sala de refeições se abria para a piscina com o piso de mosaico multicolorido e as paredes rebocadas e pintadas com desenhos com mármore. Durante a vida de Herodes, Cesaréia proporcionou a entrada triunfal a seu reino e ainda hoje resta algo de sua glória.

Belvoir, Um Castelo Que Domina O Jordão.

O castelo de Belvoir honra seu nome, “Bela Vista”, com um magnifico panorama do vale do Jordão e a silhueta de Samaria a sudeste, o monte Tabor a noroeste e o vale de Jamurc e o monte Hermin em Golã. Esta fortaleza dos cruzados é conhecida também como Kochav ha-Yarden, “Estrela do Jordão” em hebraico. Ela começou como uma fazenda fortificada em 1140, e em 1168 foi vendida para os Cavaleiros Hospitalários.

O castelo repeliu os ataques do exercito do Saladino duas vezes em 1183, mas, um mês depois de sua vitória na batalha de Hattin em 1187, Saladino cercou a fortaleza. Os cruzados conseguiram resistir até janeiro de 1189, quando a torre externa, ou barbacã, que guardava a entrada da fortaleza, foi solapada.

A abertura de tuneis pelo exercito de Saladino fez sucumbir a primeira linha de defesa. Os sitiados, vendo que serviam derrotados, negociaram uma rendição com Saladino.

Foi permitido que os cruzados se retirassem para Tiro. O Castelo foi destruído em 1217-1218, quando todas as fortalezas abandonadas da Terra Santa foram desmanteladas para que não voltassem a ser ocupadas. Em 1241, um tratado com os governantes muçulmanos da palestina permitiu que os cruzados retornassem durante um curto período, mas a magnitude da destruição não permitiu que a fortaleza fosse reconstruída. No entanto, o castelo está em bastante bom estado, já que as ruinas nunca foram permanentemente  ocupadas nem desmanteladas para aproveitar o material em outras construções.

A fortaleza mede cerca de 100 x 110 metros e é um belo exemplo de castelo concêntrico com três níveis ou linhas de defesa.

O Castelo de Belvoir.

Construído em forma de pentágono, o castelo de Belvoir tem três linhas defensivas. No centro ficava o terrão principal, que em si já era uma fortaleza com cisterna própria, aprovisionamento de viveres e igreja. Era protegido, além disso, por uma segunda linha de fortificação, a muralha externa, com sete torres de guarda e um fosso seco em três lados.

O quarto lado era resguardado pela barbacã, uma torre maciça com portas estreitas que podiam ser bloqueadas. Podia abrigar todo o exercito do castelo e servir ao mesmo tempo como ultima linha defensiva, já que era uma pequena fortaleza. No entanto, o castelo caiu diante das forças de Baibars, quando estas conseguiram solapar a torre. Abriram-se tuneis debaixo da barbacã que provocaram seu afundamento, e aos cruzados não restou outra saída senão render-se.

A fortificação mais interna era o torreão, construído como um quadrilátero com uma torre de vigia em cada ângulo.

O pátio interno conduzia às cozinhas e ao refeitório, quanto as salas e dormitórios ficavam em cima, ao lado da capela.

O torreão interno, a terceira linha de defesa, era em si outra fortificação, já que as salas só se abriam para o centro, e em vez de janelas tinha pequenas frestas.

No meio do muro ocidental havia uma porta em forma de L que conduzia à praça de armas.

Como segunda linha de defesa, os muros externos eram construídos em forma de pentágono com dois muros orientais unidos entre si por uma grande torre externa, o donjon.

Nas muralhas restantes havia uma torre no centro de uma em cada ângulo. Quatro destas torres tinham postigos escondidos, pequenas portas camufladas que permitiam aos defensores do castelo sair sem ser vistos para atacar os artefatos inimigos que solapavam as muralhas.

Um fosso seca de 10 metros de profundidade e quase 22 de largura também protegiam as muralhas externas.

Na parte leste, o declive era bastante abrupto, prescindindo, portanto, de fosso. Só havia duas formas de entrar no castelo. A primeira a leste, através de uma ponte levadiça sobre o fosso à qual se chegava cruzando um extenso corredor ao longo de donjon. É provável que a ponte fosse de madeira, para poder ser retirada ou queimada em caso de ameaça de guerra. A segunda a oeste do castelo, por uma ponte levadiça que permitia a entrada através de uma pequena porta no muro externo. No interior do recinto havia dependências destinadas a diversos usos: oficinas, armazéns e estábulos. Toda a defesa do castelo dependia da grande torre, ou donjon, de quase 50 metros de altura e com vista para o vale do Jordão. Era, além do mais, protegida por um glacis, uma esplanada em vertente artificial ao longo de toda base. Era projetada como ultimo lugar de retirada, já que podia alojar grande número de soldados se os atacantes conseguissem conquistar tanto a muralha interna do castelo quanto a externa. As escadas estreitas que ligavam a barbacã para impedir o acesso ao torreão. Quis o acaso que o torreão fosse a primeira linha de ataque do exercito de Saladino. Como foi quase totalmente destruído no cerco ao castelo, restam poucos vestígios arqueológicos de sua estrutura.

Betsan, Uma Lembrança do Esplendor Imperial.

Betsan foi um dos primeiros lugares ocupados de Israel, habitado sem interrupção durante 6.000 anos.

Hoje em dia, a cidade moderna usurpou algumas das esplendidas ruinas ancestrais. Na antiguidade, era o cruzamento onde o vale do Jordão se encontra com o extremo sul do Izreel e, portanto, com a saída para o mar mediterrâneo. Os primeiros restos arqueológicos encontrados em Betsan, no que agora é o Tell localizado na zona alta da cidade, remontam ao século V a.C.  A cidade esteve sobe o domínio egípcio durante a Idade Do Bronze tardia (1550-1200 a.C.). A importância de Betsan como centro administrativo no século XIII foi comprovado com o achado de três estrelas egípcia. Também são dos mesmos períodos diversos sarcófagos antropomorfos com as tampas decoradas com caras grotescas e as mãos cruzadas sobre o peito. Transformou-se numa cidade filisteia na primeira idade do ferro (1250-1000 a.C.), em 1 Samuel XXXI, 10 se da a descrição plástica de como os cadáveres do rei Saul e de seis filhos foram pendurados nas muralhas de Betsan. Depois foi cidade israelita e o primeiro livro dos reis IV, 12 inclui Betsan entre os distritos administrativos fundados por Salomão. O conjunto mais antigo encontrado no Tell são os restos de uma série de templos com três salas usadas por pelo menos 500 anos. Só no período helenístico á área civil da cidade se mudou para o sopé do montículo.

Betsan foi rebatizada como Citópolis quando se transformou em uma das dez cidades-estados, a Decápolis fundada pelo general romano Pompeio em 63 a.C.. No Tell localizado no alto da cidade havia uma acrópole, com um templo que devia ser dedicado á Zeus, o deus do “Cume dos Montes”. Ao pé do Tell havia quatro construções notáveis: um templo romano, uma fonte, uma basílica e um edifício monumental.

A Cidade Romana de Betsan.

Betsan sempre foi um dos lugares mais continuamente ocupados de Israel: os primeiros restos de assentamentos foram encontrados no tell e remontam ao V milênio a.C. A cidade é mencionada não só em fontes egípcias, mas também na Bíblia. Durante o primeiro período romano, a parte principal da cidade se mudou para o sopé de montículo. Betsan era conhecida como Nisa ou Citópolis, o nome voltou à sua origem semítica e se tornou Betsan. A cidade baixa foi construída segundo a planta romana clássica, embora a topografia do terreno não permitisse um Cardo maximus cruzado em ângulo reto por um Documanus.

Em seu lugar, as quatro ruas principais com colunas se encontravam numa praça central. Muitos dos sofisticados edifícios do centro foram destruídos por um grande terremoto em 749 d.C.

Dentro da cidade foi edificado um anfiteatro oval. Depois, em tempos bizantinos, foi construída uma grande casa de banhos. O templo romano foi instalado num pódio alto na praça onde se encontravam as duas principais ruas com pórticos. Uma impressionante escadaria de pedra calcaria branca conduzia a um peristilo, ou alpendre com pórtico, de cerca de 20 metros de largura.

Quatro grandes colunas de pedra calcaria sustentavam um frontão de um telhado de duas águas. A esplanada diante do templo tinha no piso vãos de seis lados, ao que parece para a colocação de pequenos altares. Foi encontrado o pedestal de uma estatua, mas não a estatua, em honra ao imperador Marco Aurélio, que reinou de 161 a 180 d.C.

Imediatamente a leste do templo havia um ninfeu, um edifício de grandes dimensões cm uma abside semicircular no centro que, pelo menos em tempos bizantinos, tinha uma fachada decorativa. Do outro lado do ninfeu havia uma basílica de mais de 45 metros de largura com uma abside ao fundo que se unia à praça central da cidade. No interior da basílica havia um altar de seis faces ornamentado com diversas cenas dionisíacas. Depois, foi construído outro edifício colossal, ao lado da esplanada da basílica. Seus muros continham uma serie de nichos provavelmente destinados a estatua. Do centro da esplanada saía uma rua com pórticos de cerca de 60 metros que ia até o sudeste e que devia ser um passeio coberto ou stoa, com um lago e uma estatua de mármore de Dionísio jovem. Outra rua com pórticos conduzia ao sudoeste, com uma stoa e, de um lado, uma fileira de lojas.

Por esta rua se chegava ao teatro romano, que media 110 metros de diâmetro e é o mais bem conservado de todos os encontrados até hoje em israel.

No outro extremo da cidade havia um grande anfiteatro, com capacidade para 7.000 espectadores, para esportes e lutas de gladiadores. A cidade dos tempos bizantinos foi melhorada com uma casa de banhos. Era uma magnifica construção com oito salas, dotada de ar quente por meio de fornos e rodeada de piscinas, dependências recreativas e uma palestra coberta para fazer o exercito.

A entrada dos banhos, que começava na porta principal, era feita através de uma construção muito sofisticada, um propileu. Perto da entrada havia também o odeão, um pequeno teatro que podia ser do tempo dos romanos.

Uma parte deste edifício foi transformada depois, no período bizantino, em outro edifício publico, no qual, em um dos cômodos, havia um maravilhoso piso de mosaico com retrato de Tique, a deusa da fortuna. Em um dos lados das ruas havia um pórtico que cobria a entrada de uma serie de lojas, luxuosamente decoradas com fachadas de mármore e pisos de mosaico. A cidade bizantina era cercada de muralhas; sabe-se quando foram construídas as ultimas, já que durante grande parte da época romana a cidade não era fortificada.

Beit Alfa e seu Extraordinário Mosaico.

Beit alfa é uma antiga sinagoga com um dos mais extraordinários mosaicos de Israel. A sinagoga, de 28 x 14 metros, foi construída entre as casas de Bar Am no final do século V a.C.

Com a abside orientada para o sul, para Jerusalém, a construção consta de três partes: o pátio externo, o vestíbulo e a basílica, ou sala principal. O pátio era decorado com um mosaico de desenhos geométricos de baixa qualidade, e a partir do pátio se chegava ao vestíbulo, onde foram encontrados restos de outro piso de mosaico geométrico. Encontrava-se na sala por três portas, e só podemos imaginar a forma que podiam ter, já que a fachada não se conservou.

A sala é dividida em três naves por duas fileiras de colunas de pedra rebocada. Um vão na parede do sul cobria a Arca (ou Tabernáculo da Lei) sobre uma plataforma a que se subia por três de graus. Ao longo das paredes alinhavam-se bancos de pedra. Na parede ocidental havia uma porta que talvez conduzisse à escada que levava à sala das mulheres do segundo andar da sinagoga.

A nave principal da basílica é pavimentada com um mosaico bem conservado e com desenhos de estilo ingênuo e primitivo. O mosaico se divide em três painéis. Em sua origem localizada diretamente diante da abside, o primeiro painel mostra a Arca da Lei e à direita e à esquerda duas varas sustentam uma cortina puxada para um lado. Da prateleira superior pende uma lamparina eterna, e de ambos os lados estão encarapitados dois pássaros frente a frente. Dois leões vigiam a porta dupla, e atrás dos leões há dois menorás acesos, um de cada lado da Arca, rodeados de objetos litúrgicos, como uma pá de incenso, um shofar, um lulav e um etrog.

O painel central é uma representação circular do zodíaco. Os doze signos com seu nome em hebraico estão dispostos ao redor de Hélios, o deus do sol, em seu carro puxado por quatro cavalos. Nos quatro ângulos do mosaico há figuras aladas femininas que representam as quatro estações do ano rodeadas de frutos e flores.

O terceiro painel é o mais próximo da porta e representa o sacrifício de Isaac. Como é comum em hebraico, as figuras aparecem da direita para a esquerda.

Isaac tem as mãos amarradas por Abraão sobre a pira do sacrifício. Um carneiro está preso a um sarçal, e uma mão assoma pela parte superior do painel com as palavras “não ergas a mão contra o menino”, do Gênesis XXII, 12. À esquerda do mosaico há dois rapazes que acompanham Abraão com um asno.

Os três painéis são emoldurados por uma faixa ornamentada com desenhos geométricos e de fauna e flora. Na entrada da sinagoga há duas figuras, um leão de um lado e um búfalo do outro.

No centro, uma inscrição dá conta das doações recolhidas para pagar o mosaico, embora a data se tenha apagado. Uma inscrição grega dá Marianos e seu filho Janina como autores do mosaico. Também foram encontrados exemplares de sua obra no piso da sinagoga samaritana de Betsan.

Belém, O Berço de Jesus.

Toda noite de natal, cristãos de todo o mundo se reúne em Belém para celebrar o nascimento de Jesus na igreja da Natividade. Belém aparece pela primeira vez na Bíblia como lugar de nascimento de Davi (1 Samuel XVI).

O livro de Miquéias (V, 1) cita a cidade como o lugar onde nascerá o Messias.

Segundo a tradição, José, o pai de Jesus, voltou para a casa de Belém para cumprir o censo ordenado por César Augusto. Foi ali que Jesus Nasceu numa gruta e foi posto numa manjedoura.

No reinado de Constantino foram recuperados os lugares santos cristãos, e em 339 a rainha Helena dedicou a primeira igreja construída sobre a gruta.

Ao que parece, a igreja tinha um grande átrio e uma basílica com dias fileiras de colunas de cada lado da nave.

Sobre a gruta da Natividade foi construído um octógono que permitia ver a gruta inferior. A cidade reafirmou sua santidade quando São Jeronimo foi viver nela. Depois, a igreja primitiva foi desmantelada, e edificou-se outra, mais suntuosa, por ordem do imperador Justiniano.

A igreja da Natividade foi construída dentro das mesmas paredes da igreja de Justiniano, e grande parte de sua estrutura permaneceu até os nossos dias. Não foi destruída durante a invasão persa de 614 porque os três Reis Magos da fachada estavam vestidos com trajes persas. Os cruzados a restauraram em 1169, e ela nunca chegou a ser arrasada pelas seguintes ocupações muçulmanas. No entanto, grande parte de sua rica decoração interior foi saqueada, e alguns mármores foram utilizados em lugares santos muçulmanos, como a Cúpula da Rocha. Em 1934, escavações revelaram o piso de mosaico original.

Heródion, o Palácio-Fortaleza do Rei Herodes.

O Heródion é uma das construções arquitetônicas mais extraordinárias do mundo ocidental. De longe, no outro lado da paisagem árida colinas ao sul de Jerusalém parecem um cone invertido num alto de um pequeno promontório. Abaixo estão as ruinas de um grandioso palácio, uma enorme piscina, armazéns e banhos.

Os zelotes invadiram a fortaleza e a transformaram num baluarte de resistência durante a Primeira e a Segunda Rebelião judaicas, e nos tempos bizantinos foi um mosteiro.

Construída por Herodes, esta edificação colossal era destinada a ser palácio fortificado e seu mausoléu. Não obstante, nunca foram encontrados restos de sua sepultura. Este edifício cônico se ergue a 60 metros sobre o cume de uma colina natural e é composto de duas muralhas circulares e paralelas de 65 metros de diâmetro. Das muralhas sai um torreão circular que originalmente podia ter 16 metros de altura, e há outras três torres de vigia semicirculares. O palácio adquiriu sua original forma cônica devido à acumulação de lixo e escombros jogados das muralhas e torres depois de sua construção.

O acesso ao palácio só era possível através de um corredor subterrâneo que começava no sopé da colina e que levava, através de uma entrada abobadada de cinco metros, até o pátio do jardim.

O interior do palácio era dividido em duas partes. Uma delas era um jardim rodeado de colunas, e a outra metade, luxuosos aposentos de dois andares com sala de banhos na parte de baixo.

Os pisos eram decorados com mosaico de desenhos geométricos, e as paredes eram rebocadas; a metade inferior com painéis coloridos, e a superior, com molduras de estuque branco.

O Heródion inferior era igualmente suntuoso e tinha no centro um enorme lago cisterna, era grande o bastante não só para nadar, mas também para pequenas embarcações. O lago era rodeado por um jardim ornamental e outros palácios, além de outra sala de banhos. No palácio foram encontrados restos de uma sinagoga e de um mikvehs, bem como diversas cozinhas para atender às necessidades dos sublevados.

Nem sempre é possível discernir a diferenças entre os restos da Primeira e da Segunda Rebelião, mas foram encontrados muito objetos – especialmente armas -, bem como moedas cunhadas por ambos os grupos de rebeldes.

Depois, em tempos bizantinos, foi construída sobre as ruinas do palácio uma instalação monástica. Hoje em dia, o isolamento do lugar contribui para que continue a ser uma construção única, mais uma lembrança da criatividade de Herodes.

Heródion, a Fortaleza do Rei Herodes.

O rei Herodes escolheu esse terreno por duas razões: primeiramente, queria um monumento no lugar onde havia conseguido uma impressionante vitória contra os asmoneus e seus partidários; depois, tinha a intenção de que a fortaleza fosse seu mausoléu. No entanto, os arqueólogos que fizeram escavações ali não encontraram o tumulo de Herodes. Nas ultimas semanas da Segunda Rebelião judaica a fortaleza também proporcionou refugio ais rebeldes judeus liderados por Bar Kokba.

A Fortaleza foi construída em forma de cone invertido, sobre o que já era o cume de uma colina isolada. Durante sua edificação retiraram terra do interior e a jogaram sobre as muralhas para formar uma parede escarpada. O acesso à fortaleza se dava através de um longo túnel que terminava numa entrada abobadada na muralha externa, ao lado do jardim do palácio.

Qumram e os Manuscritos do Mar Morto.

A antiga comunidade de Qumram foi relacionada de foram quase concludente com alguns documentos achados nos Manuscritos do mar Morto, e muitos eruditos vêem também uma conexão com os essênios, a antiquíssima seita judia. Não obstante, é preciso levar em conta que nenhum outro lugar de Israel suscitou tantas controvérsias.

Uma interpretação sugere que Qumran era uma parada de caravanas que abastecia os numerosos viajantes da “rota do sal” entre Jerusalém, a Arábia e o chifre da África. Outras insinuaram que o lugar era uma vila de inverno para alguns abastados de Jerusalém, enquanto outros sugerem que era uma fortaleza. Localizada num planalto sobre um muro de terra que se estende do leste à costa do mar Morto, Qumran é provavelmente a Cidade do Sal, uma das seis urbes do deserto da Judéia menciona por Josué (XV, 61-62).

A área foi habitada pela primeira vez na época israelita, talvez como fortaleza israelita no deserto, e é provável que tenha sido abandonada quando se deu a queda do reino de Judá. Do século II a.C. à repressão da Primeira Rebelião judaica, sempre foi habitada, exceto durante um período indeterminado após um terremoto em 31 a.C. Embora as datações arqueológicas apoiem a opinião de que Qumram era uma sociedade comunal, não foi encontrada nenhuma relação direta entre os essênios e o grupo descrito nos Manuscritos do mar Morto.

A entrada principal da cidade era uma porta, e ao lado havia uma torre de dois andares. Além, disso, tinha outras duas entradas, e a muralha não fortificada eram feita com os muros posteriores das casas e dos pátios. As construções comunais incluíam uma grande cozinha com cinco fogões. Perto há uma ampla sala a que se chama refeitório, e ao lado outro cômodo, menor, onde foram encontrados os restos de cerca de mil recipientes de barro: talhas, pratos, jarras, bandejas, tigelas e copos, que deviam ser usados nas refeições comunitárias. No terreno havia também uma oficina de cerâmica. No sitio surgiu uma dependência de grandes dimensões que podia destinar-se a ser scriptorium, já que foram encontrados uma mesa para escrever e três tinteiros.

O sistema de fornecimento de água era bastante sofisticado. Chegava até o ângulo noroeste da cidade através de um aqueduto. A água entrava numa cisterna de decantação onde era filtrada, e uma rede de canais a distribuía a sete cisternas.  Há bem ao lado do assentamento um grande cemitério, com mais de mil tumbas. Dispostas em fileiras ordenadas, as tumbas são marcadas por um pequeno monte de pedras. Os cadáveres estão quase todos colocados de costas e com a cabeça para o sul. As tumbas encontradas continham restos de homens, com algumas poucas crianças e mulheres nos arredores do cemitério.

Levando em conta as provas escritas, os essênios foram mencionados pelos antigos historiadores judeus, por Fílon de Alexandria e por Flávio Josefo, e também, brevemente, por Plinio, o Velho. Estes historiadores dizem que a seita dos essênios contava com mais de 4.000 indivíduos espalhados por toda a Palestina. Moravam em casas comunais, só os homens podiam filiar-se à seita, e havia um período de noviciado antes da admissão como membro de pleno direito. Os novos membros entregavam à seita todas as suas propriedades e prometiam ceder seus futuros ganhos à comunidade.

Os especialistas estão de acordo em que os manuscritos foram escondidos nas cavernas entre 68 e 70 d.C. pelos habitantes de Qumran. Alguns dos rolos, bem como outros documentos antigos encontrados anteriormente, como o Manuscrito de Damasco, descrevem toda uma serie de normas para a convivência comunal e algumas crenças diferentes da corrente principal do judaísmo da época. O Manual de Disciplina sublinha as regras da vida comunitária, enquanto outro manuscrito, A Guerra entre os Filhos da Luz e a Escuridão, dá uma interpretação apocalíptica para os acontecimentos que precederão o fim do mundo.

Ainda não se deu a última palavra com respeito a Qumran. A recente difusão dos Manuscritos do mar Morto ao amplo mundo dos estudiosos nos oferecerá muitas e novas interpretações. E ainda precisam ser encontrados outros manuscritos.

Alguns deles podem estar ainda nas mãos dos beduínos ou de particulares.

Mas o mais provável é que haja manuscritos ocultos em cavernas sepultadas dos alcantis que margeiam Qumran.

Massada, a Cidadela do mar Morto.

Massada, a fortaleza no deserto construída por Herodes, transformou-se em um dos símbolos mais dramáticos para o povo judeu. Em 73 d.C., 960 homens, mulheres e crianças se suicidaram para não render-se aos soldados da X Legião Estrangeira Romana. Este foi o último capitulo de uma rebelião que havia começado com a destruição de Jerusalém três anos antes. Massada foi usada pela primeira vez como fortaleza no período dos reis asmoniano. Depois, em 40 d.C., Herodes deixou ali a sua família enquanto fugia do exercito do pretendente parto, Antígono. Sitiados, os partidários de Herodes se salvaram quando uma chuva repentina encheu as cisternas.

Pouco depois Herodes conseguiu recuperar o reino, resgatou Massada e mandou construir uma fortaleza e um palácio inexpugnáveis para proteger-se tanto da ameaça do belicoso povo judeu quanto da rainha do Egito, Cleópatra.

A edificação mais impressionante de Massada continua a ser o palácio de três níveis encarapitado na parte norte do cimo.

O terraço superior servia de residência e contava com uma colunata circular sobre o alcantil. O segundo nível tinham também um galeria circular e era destinado principalmente ao divertimento.

O nível inferior era quadrado e dispunha de uma pequena sala de banhos. As paredes interiores eram pintadas com afrescos de cores vivas, e alguns deles conservaram-se até hoje.

Os motivos principais eram flores, desenhos geométricos e imitações de mármores finos. Os pisos de mosaico tinham desenhos geométricos em preto-e-branco. Se o Palácio Suspenso servia para o divertimento e também para exibir a riqueza e o poder de Herodes o Palácio do Oeste era mais funcional e, além dos aposentos reais, quartos de serviço, oficina e armazéns, tinha salas que cumpriam funções administrativas, como recepção de chefes de Estado.

No piso havia magníficos mosaicos, e há provas de que algumas partes deste palácio tinham vários andares. Ao lado tinham sido construídos outros três palácios. Ainda hoje a grande sala de banhos com quatro compartimentos é realmente impressionante, e uma das mais bem conservadas dos sítios romanos. A entrada, ou apodyterium, era ornamentada com afrescos e piso de lajotas brancas e pretas. A sala tépida, o tepidarium, conduzia à piscina degraus da sala fria, o frigidarium.

No como quente, o calidarium, os pequenos pilares redondos sustentavam o piso a câmara de aquecimento, o hypocausto, e estão bastante bem preservados. Contiguo à casa de banhos havia um complexo de depósitos para guardar alimentos e vinhos, e um destes armazéns era especialmente reforçado para a segurança de objetos valiosos, como armas ou joias. Esta área de Massada, incluindo os palácios, as termas e os armazéns, ficava separada do restante do cimo por uma muralha e uma porta.

De novo, o maior problema para um recinto que podia ver-se na necessidade de alojar a qualquer momento mil pessoas era o fornecimento e o armazenamento de água. Massada ficava não só um deserto com chuvas escassas e de temperatura, mas num penhasco cercado de montanhas e precipícios. Foi criado um sistema de drenagem que transportava a água de barragens de vales próximos para uma rede de 12 cisternas nos declives.

As cisternas podiam conter até 40.000 metros cúbicos, e dali homens ou mulas levavam a água subindo uma trilha tortuosa e através da porta da Água até as cisternas do pico.

Apesar de ser quase inacessível num lugar e escarpado, Massada foi fortificada com altas muralhas que cercavam todo o recinto, exceto o extremo norte da montanha, e foi construído com casamatas um muro interno e outros externos separados por uma câmara. No total, as muralhas de Massada medem 1,5 quilômetros de comprimento e tem 70 casamatas, 30 torres e quatro portas.

Quando os judeus rebeldes ocuparam Massada durante os seis anos da rebelião judia contra Roma, fizeram grandes mudanças no complexo de Herodes. Para alojarem muitas famílias, todas as câmaras da casamata exterior foram destinadas a uso domestico, e muitos dos quatros do palácio foram divididos ao meio para transformar-se em duas habitações. Os rebeldes construíram também dois mikvehs, e foram encontrados restos de uma sala que devia ser utilizada como beit midrash, gabinete de estudos religiosos. O sitio da sinagoga no extremo noroeste foi reconstruído parcialmente. Orientada para Jerusalém, pode ter sido construída pelos zelotes no terreno de uma sinagoga anterior, do tempo de Herodes. Graças ao clima seco, conservaram-se fragmentos de tecidos e objetos, incluindo xales de oração, sandálias de couro, cerâmicas e cestos. Os sublevados cunhavam sua própria moeda, e foram encontradas muitas no mesmo sitio. São muito importantes, para a sua investigação nos textos bíblicos, 14 rolos encontrados em diversos lugares das ruinas.

Também foram encontrados mais de 700 óstracos (fragmentos de cerâmica com inscrições) que nos dão pistas de como era a vida social dos rebeldes isolados no cume de Massada. Os óstracos eram escritos geralmente em hebraico ou em aramaico, e em raríssimas exceções em grego ou em latim. Muitos óstracos foram encontrados perto de depósitos, e ao que parece se praticava algum sistema de racionamento de viveres.

Em quatro casos, foram encontrados óstracos grandes com inscrições de nomes e o seu lado um numero. Isto indicaria algum tipo de lista burocrática. Ao lado das portas internas que bloqueavam o acesso aos depósitos, foi encontrado um conjunto de 11 óstracos, cada um com um nome. Um desses nomes era Bem Yair, o líder dos rebeldes de Massada.

Deviam ter servido para que os lideres da rebelião tirassem a sorte no ultimo dia, quando perceberam que tudo estava perdido. Josefo nos explica que cada homem era responsável por matar sua família, e depois “seguiram a mesma norma tirando a sorte para si mesmos, e quem fosse o indicado mataria os outros nove antes de suicidar-se”.

Há provas físicas que confirmam o relato de Josefo com respeito ao cerco de Massada pelo general romano Flávio Silva e pela X Legião. Os romanos construíram oito acampamentos fortificados no sopé da montanha e um muro circular com 12 torres de vigilância que ligava os acampamentos entre si.

Os judeus rebeldes não podiam entrar nem escapar do cimo. A escarpada e sinuosa Senda da Serpente eram inacessíveis para um grupo numeroso de soldados, e os artefatos de guerra tinham de abrir uma brecha nas muralhas do alto da fortaleza. Assim, Flávio Silva ordenou que fosse construída uma enorme rampa na parte oeste da montanha. A maquinaria de assedio – catapultas – foi colocada num promontório próximo para dar cobertura aos soldados que estavam construindo a rampa. Uma vez terminada a rampa, enormes aríetes puderam ser arrastados até a sua posição.

Um dos aríetes conseguiu penetrar na muralha construída por Herodes.

Os rebeldes, numa tentativa desesperada de defesa, ergueram  rapidamente um inútil parapeito de pranchas de madeira e escombros, mas, quando os soldados romanos abriram uma brecha, Massada caiu.

O Palácio Suspenso de Massada.

O palácio suspenso, ou palácio do Norte, foi outra proeza arquitetônica dos técnicos de Herodes. Era usado apenas como lugar de diversão. No  nível superior havia um vestíbulo circular com colunas coroados por capiteis coríntios.

Comunicava-se por uma escada coberta com o nível seguinte, outra construção redonda feita com coberta peculiar, mas parecida com o do Túmulo de Absalão em Jerusalém. O nível inferior era retangular e incluía pequenos banhos.

As paredes e colunas internas eram rebocadas com cores vivas, em grande parte imitando mármores. 

A Fortaleza de Massada.

Esta fortaleza tinha para Herodes significado especial. Em 40 a.C. quando fugia de Antígono e das forças partas, ele deixou sua família em Massada e seguia até Roma.

A família refugiada juntamente com uma guarnição defensiva de 800 homens esteve a ponto de morrer de sede até que um temporal repentino voltou a encher as cisternas. A localização de Massada, no alto de um planalto entre as montanhas, fazia dela a fortaleza ideal. Um muro de casamatas rodeava seu perímetro, e foram construídas torres a intervalos estratégicos. Depois, quando Herodes conseguiu tomar o trono, construiu uma serie de suntuosos palácios para os seus convidados. O conjunto do palácio do norte era separado por uma muralha do restante do cimo. Incluía um palácio e um edifício administrativo, uma grande sala de banhos, os depósitos e o Palácio Suspenso.

Avidat, Mampsis e Sobata, Cidades Nabatéias no Deserto.

Os nabateus foram um povo único: nômades desde tempos imemoriais ganhavam a vida comerciando e servindo de guias às caravanas que atravessavam o deserto.

Segundo a descrição do historiador grego Hieronymus, eram mais ricos que as outras tribos nômades árabes, e seu numero não passava dos 10.000. Descreveram sistemas muito avançados para o transporte e armazenamento de água no entorno inóspito do deserto.

O sitio nabateu arqueológico mais espetacular são as ruinas de Petra, agora na Jordânia. O comercio de especiarias era a principal fonte de renda dos nabateus, e eles mantiveram o monopólio desde o século VI a.C. As especiarias chegavam de lugares tão distantes quanto a Índia e o Extremo Oriente, bem como da Arábia, eram transportadas por comerciantes nabateus até os portos das praias do sudeste do Mediterrâneo. Pouco a pouco, no século I a.C., o comercio nabateu estabeleceu um sistema de paradas de caravanas que incluía templos, termas e até serviços bancários para que a prata não tivesse de ser transportada por grandes distancias.

Um dos principais perigos eram os assaltos nos caminhos, e os nabateus formaram também um sistema militar para a sua própria defesa. Varias cidades do Neguev ficavam no meio das rotas comerciais Nabatéias, que iam tão longe para o sul quanto o norte da Arábia e tão longe para o norte quanto Damasco e porto de Tiro.

Destas paradas de caravanas, o lugar onde foram realizadas as escavações mais completas é a antiga povoação de Oboda, assim chamada em Homenagem a um rei nabateu, Obodas II (30-9 a.C.).

Seu nome em hebraico, Avidar, deriva do árabe Abdah. Fizeram-se escavações no acrópole de Avdat, e podem-se ver restos de templo de pedra calcaria branca construído no reinado de Obodas II, embora grande parte da pedra tenha sido reutilizada posteriormente, na construção de duas igrejas bizantinas. Ao norte da acrópole ficava o acampamento militar, de forma quadrada, com 100 metros de lado.

Também podem ser vistos os abrigos para os camelos dos soldados nabateus. Ao que parece, durante a maior parte da ocupação nabateia de Avdat os habitantes viviam em tendas, uma vez que não foram encontrados restos de casas nas escavações. A cultura nabateia mudou de forma radical depois que os romanos conseguiram usurpar os caminhos, antes monopólio dos comerciantes nabateus.

Em meados do século I d.C., os nabateus se viram obrigados a abandonar a vida nômade, a instalar-se em cidades e a depender da agricultura para a subsistência. Logo passaram à criação de cavalos. Junto à dedicação à agricultura, chegou o desenvolvimento de sistemas de irrigação. Mampsis (Mamshit em hebraico) era um cidade nabateia construída na área de uma parada de caravanas, depois da transição a uma vida sedentária no final do século I d.C. e Inicio do século II d.C.

As casas espaçosas foram construídas em blocos compactos separados por amplas ruas e espaços abertos, e de certa formam lembram uma cidade de barracas de campanha. O sistema de coleta da água está bem conservado, e pode-se ver um Wadi perto da cidade, onde uma serie de três barragens recolhe a água das poucas chuvas torrenciais anuais. A cidade de Sobata (ou Shivta), localizada na estrada entre Oboda e Nessana, duplicou de tamanho quando os nabateus se dedicaram à agricultura.

Junto a Avdat, Sobata foi o lugar de uma fazenda experimental construído por cientistas israelitas para estudar antigos métodos de agricultura no deserto.

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